18/10/2007 - 16h43
Dívidas no cartão e no cheque especial são vilões do orçamento, diz Febraban

SÃO PAULO - O problema que tira noites de sono de muitos brasileiros foi traduzido em palavras pela própria Febraban (Federação Brasileira dos Bancos): dívidas no cheque especial e no cartão de crédito são os grandes vilões do orçamento, porque a situação acaba se tornando uma bola de neve. As declarações foram concedidas na última última quarta-feira (17) durante o 2º Congresso do Mercado Brasileiro de Meios Eletrônicos de Pagamentos.
"Existem instituições que são absolutamente burras em perder o cliente em um momento de dificuldade, não oferecendo maneiras para ajudar a pessoa a refinanciar a dívida", afirmou o vice-presidente da entidade, Antonio Jacinto Matias.
Valor médio e inadimplência
Segundo a Serasa, o valor médio das dívidas dos brasileiros com bancos é de pouco menos de R$ 1,3 mil. Já no caso do cartão de crédito, a pendência fica em quase R$ 370. Vale lembrar que dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças) apontam que os juros médios desses produtos estão em 7,69% ao mês e 10,29% mensais, respectivamente, sem considerar multas.
Ainda conforme a empresa de análise de crédito, de janeiro a setembro, caiu em 0,8% a inadimplência dos consumidores, tomando como base o mesmo período do ano passado. Comparando o nono mês deste ano com o do ano passado, houve alta de mais de 2%. Ocorre que, de janeiro a setembro de 2006, tomando como base 2005, o não-pagamento de contas havia crescido 17%.
Técnicos da entidade explicaram que a queda no acumulado do ano não é significativa. O motivo do comportamento se dá, entre outros motivos, pelo alongamento dos prazos de financiamento, o que sinaliza para parcelas menores.
Questão da baixa renda
Conforme Ângela Crespo, jornalista com experiência de mais de 15 anos em finanças, os principais prejudicados pela situação são compradores de baixa renda, exatamente por conta do desconhecimento financeiro. "Eles não sabem muitas vezes o que estão comprometendo quando contratam um crédito", afirmou.
Ilustrando essa situação, pesquisa da Fecomércio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) mostrou que 56% dos paulistanos estão endividados, sendo que o comprometimento médio do orçamento para arcar com essas despesas é de 33%.
Aqueles que possuem rendimento médio de três a dez salários mínimos estão em situação pior, com 37% de sua renda desviados para o pagamento de pendências, enquanto que, entre aqueles com ganho acima desse patamar, a proporção é de 34%.