18/10/2007 - 17h00
Manutenção da Selic pode intensificar queda do dólar

SÃO PAULO - A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa Selic em 11,25% ao ano trouxe novos argumentos em prol da valorização do real.
A persistência de um largo diferencial de juros externos e internos torna os investimentos em ativos brasileiros especialmente atrativos, colaborando para a queda do câmbio.
Nesta quinta-feira (18), por exemplo, o dólar comercial apresentou recuo significativo e ficou abaixo da casa de R$ 1,80, mesmo diante de uma deterioração do humor internacional.
Oásis da especulação
O raciocínio vale pois, quando ajustadas pelo risco, as taxas de juros reais domésticas são superiores às de equilíbrio de longo prazo. Desconsideradas variações do câmbio, operar taxas de juro em diferentes mercados equivale à arbitragem quando os retornos médios são distintos ao serem ajustados pelo risco. É garantia certa de lucro!
E a perspectiva de obtenção do investment grade num horizonte inferior a dois anos agrava a questão. Faz-se necessária a adequação das taxas de juro internamente ao nível de risco do país. Como resume de forma enfática Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da NGO Corretora, caso contrário o "Brasil corre o risco de tornar-se o oásis mundial da especulação".
Fundamentos
Obviamente, a tendência de apreciação do real não se apóia exclusivamente no spread de juro. Depois de esboçar uma alta durante o auge da crise do subprime, o dólar rapidamente retomou sua trajetória de queda, atingindo o menor nível desde 2000 por conta de fundamentos em prol do câmbio valorizado.
Expressivo saldo na balança comercial, aceleração do crescimento econômico e controle da inflação são alguns dos pilares da queda do dólar.
Em relatório publicado nesta quinta-feira, a Ativa Corretora lembra da surpresa positiva dos investimentos estrangeiros diretos nos últimos meses e das mudanças benignas da economia internacional.
A corretora revisou para baixo sua estimativa para a taxa de câmbio ao final de 2007 e 2008, agora em R$ 1,80 e R$ 1,90, respectivamente.
Sem exageros
Atribuir a apreciação do real nos últimos anos exclusivamente ao diferencial de juros externos e internos é exagerado. Porém, negar a influência das operações entre taxas de juro sobre a taxa de câmbio poderia ser igualmente equivocado.