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05/07/2007 - 11h53

Opção ao petróleo, biocombustível também enfrenta críticas

Bruxelas, 05 Jul (Lusa) - Como alternativa ao petróleo, combustível preponderante, mas escasso, os produtores de energia desenvolveram diversos tipos de combustíveis "bio", procedentes de matérias-primas orgânicas, que procuram obter uma cota de mercado crescente na área das energias renováveis. Apesar de menos poluente, esse tipo de combustível também apresenta desvantagens.

A Comissão Européia promove nesta quinta e sexta-feira uma Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, em Bruxelas, reunindo líderes políticos como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro luso, José Sócrates, que preside atualmente a União Européia, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, além de especialistas e representantes de companhias do setor.

O evento debaterá os pontos positivos e negativos envolvendo a produção de biocombustíveis e a criação de um mercado internacional para o produto.

Tipos de biocombustíveis

Os principais tipos de biocombustíveis são o bioetanol, o biodiesel e o biogás, além dos chamados biocombustíveis de segunda geração, a maioria ainda em fase de desenvolvimento.

O bioetanol é um álcool usado para veículos, normalmente misturado com outros combustíveis. É obtido a partir de açúcares ou produtos orgânicos como a beterraba, os cereais, o trigo e a cana-de-açúcar (cuja produção o Brasil lidera). A UE utiliza uma modalidade deste combustível chamada ETBE (o éter etilter-butil).

O biodiesel é sintético e líquido, obtido de gorduras naturais como azeites de palma, girassol, colza ou soja. Também são conhecidos como biogasoleo ou diester. Na Espanha é possível comprar biodiesel misturado com combustível fóssil em mais de 250 postos de abastecimento. Em Portugal também é possível adquirir biodiesel, mas em menor escala.

Durante a guerra colonial, há 30 anos, veículos pesados portugueses "Berliet-Tramagal" já utilizavam óleo de palma como combustível, devido às dificuldades de reabastecimento das áreas mais remotas no interior de Angola.

O biogás é produzido a partir das reações de degradação da matéria orgânica. Chama-se biogás à mistura formada por metano CH4 e dióxido de carbono, além de outros gases como hidrogênio, nitrogênio e sulfureto de hidrogênio.

Já entre os biocombustíveis de segunda geração, se destaca o produto obtido a partir da transformação de "linhocelulose" ou pasta de papel, que está sendo desenvolvido em três fábricas-piloto na UE, sediadas na Espanha, Suécia e Dinamarca. Esse biocombustível também recebeu incentivo de US$ 385 milhões (R$ 737 milhões) do governo norte-americano neste ano.

Estão sendo pesquisadas ainda outras tecnologias para converter a biomassa em biocombustíveis líquidos, como o biodiesel Fischer-Tropsch e o bio-DME (biodimetileter) ou o gás natural sintético, que pode ser produzido tanto a partir de recursos fósseis como renováveis.

Vantagens e inconvenientes dos biocombustíveis

Apesar das vantagens dos biocombustíveis, estes também suscitam críticas como a possibilidade de que possam fazer disparar os preços dos alimentos de primeira necessidade, por causa da matéria-prima agrícola que utilizam, além das dúvidas sobre seus verdadeiros benefícios ambientais.

O biodiesel emite entre 50% e 60% menos gás carbônico (CO2) para a atmosfera que os combustíveis tradicionais, o que, inicialmente, seria favorável para o meio ambiente. Mas, como as emissões poluentes persistem, embora em menores quantidades, alguns especialistas alertam para a necessidade de aumentar as colheitas de cereais para absorver o CO2.

Outra vantagem atribuída aos biocombustíveis é que permitem reduzir a dependência das importações dos combustíveis tradicionais e criam novas oportunidades de mercado para o setor agrícola. Os mais críticos rebatem dizendo que são usadas matérias-primas alimentares para a fabricação de biocombustíveis.

Muito acreditam ainda que o aumento da utilização destes produtos agrícolas para a produção de bioetanol provocaria o encarecimento das matérias-primas básicas, como ocorreu no ano passado com o milho no México, ingrediente fundamental para a fabricação de tortilhas naquele país.

As organizações ambientais temem que a expansão das monoculturas para produção bioetanol e biodiesel provoque ainda a redução dos habitats animais e o desmatamento de áreas como a Amazônia.

Críticos mais céticos destacam que os veículos não estão preparados para usar uma mistura de bioetanol superior a 10%, o que tornaria o mercado desse biocombustível limitado sem a prévia adaptação da frota.

União Européia

Em março, os líderes da UE se comprometeram substituir 20% da energia consumida nos países-membros por fontes renováveis até 2020. No setor de transportes, a redução prevista é de pelo menos 10%, com a substituição de gasolina e petróleo por biocombustíveis.

O biodiesel ocupa o primeiro lugar entre os biocombustíveis mais utilizados na UE, com cerca de 3 milhões de toneladas. Em seguida aparece o biodiesel, com 877 mil toneladas, e outros tipos de combustíveis ecológicos, principalmente o biogás, com 649 mil toneladas.

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