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12/05/2005 - 16h36 Lucro do Unibanco salta 45% no 1º trimestre
Por Walter Brandimarte SÃO PAULO (Reuters) - O Unibanco anunciou nesta quinta-feira que o lucro líquido do primeiro trimestre saltou 45,3 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pelo aumento da carteira de crédito ao consumidor e pela recuperação de empréstimos concedidos a empresas. O terceiro maior banco privado do país lucrou 401 milhões de reais nos três primeiros meses de 2005, ante 276 milhões de reais um ano antes e 375 milhões de reais no quarto trimestre de 2004. O resultado ficou praticamente em linha com a estimativa média de cinco analistas consultados pela Reuters e pela Thomson Financial, que apontava para lucro de 410 milhões de reais. Mas as ações do Unibanco registravam desempenho inferior ao do mercado, em queda de mais de 5 por cento, enquanto o índice Bovespa perdia 2,6 por cento. "A rentabilidade ficou acima das nossas expectativas, mas ligeiramente abaixo do consenso do mercado, que cresceu recentemente" após os últimos resultados financeiros de bancos no Brasil, escreveu em relatório o analista Jason Mollin, do Bear Sterns em Nova York. O lucro do Unibanco foi ainda inferior ao do Bradesco, que conseguiu dobrar o ganho trimestral graças ao aumento da carteira de crédito e à venda de seguros e previdência privada. "Nosso resultado veio lá do varejo, veio basicamente de cartão de crédito, do financiamento ao consumo e, para nossa gratíssima surpresa, de uma melhoria no resultado advindo da carteira de empréstimos do banco comercial", disse a jornalistas, em teleconferência, o vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia. O total de crédito concedido pelo Unibanco cresceu 22,2 por cento na comparação anual, para 33,18 bilhões de reais, com alta de 37,5 por cento nos empréstimos no varejo, que respondiam por 55 por cento da carteira do banco ao final de março. Travaglia disse que a carteira também foi beneficiada pela reestruturação da dívida de importantes clientes corporativos no primeiro trimestre, o que ajudou o montante de empréstimos a grandes empresas a subir 7,7 por cento de um ano para o outro. O Unibanco manteve a previsão de crescimento da carteira de crédito entre 15 e 20 por cento este ano. Travaglia disse que as pessoas físicas continuarão a impulsionar a expansão, enquanto o segmento corporativo terá menor demanda por crédito do que inicialmente esperado. Assim como Bradesco e Itaú, o Unibanco está ampliando sua exposição ao lucrativo, porém mais arriscado, setor de financiamento ao consumo. A estratégia se baseia na recuperação da economia, que deixou os brasileiros mais confiantes para fazer dívidas apesar do aumento da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 19,5 por cento ao ano. Apesar disso, o Unibanco reduziu de 410 milhões de reais para 310 milhões de reais as despesas relativas a provisões para devedores duvidosos entre o quarto trimestre do ano passado e o primeiro deste ano. O Itaú, ao contrário, elevou essas despesas em 74 por cento na mesma comparação, para 756 milhões de reais. A diferença de postura entre os dois bancos deixou alguns analistas preocupados. "Ou o Itaú ou o Unibanco estão muito errados. É muita discrepância", disse um analista de um banco local que preferiu não se identificar. Mas Travaglia deu uma explicação. "A gente já tem alguma experiência nesse segmento de crédito ao consumidor, então nossos modelos de concessão e análise de crédito estão muito maduros", disse ele. "Provavelmente os nosssos concorrentes estejam ainda montando os seus modelos e tenham que ter um pouco mais de precaução." Todos os bancos também têm feito grandes lucros ao investir em títulos do governo. A receita do Unibanco com empréstimos e investimentos em títulos do governo foi de 3,6 bilhões de reais no primeiro trimestre, ante 2,9 bilhões de reais um ano antes.
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