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23/11/2005 - 19h03 Bovespa fecha no maior nível da história
SÃO PAULO (Reuters) - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta pelo sexto dia seguido nesta quarta-feira e no maior nível de sua história, acumulando ganho de quase 22 por cento no ano. O impulso para quebrar o recorde, segundo operadores, foi dado ainda na véspera. "Acho que hoje não (aconteceu) nada de especial. Especial foi ontem", disse Carlos Alberto Ribeiro, diretor da Novação Distribuidora. "(O ministro da Fazenda, Antonio) Palocci demonstrou (na véspera) firmeza e deu a entender que estava firme no governo. Isso fez o mercado virar ontem e criar expectativa positiva para hoje. A ata do Fed também ajudou", complementou ele, que acredita que o Ibovespa pode chegar a 34 mil pontos no fim do ano. O principal indicador da bolsa paulista subiu 1,44 por cento nesta quarta-feira e fechou a 31.942 pontos, superando o recorde histórico anterior de 31.856 pontos, batido em 3 de outubro. Fora de fechamentos, o pico histórico permanece em 32.051 pontos, atingido em 4 de outubro. O volume financeiro do dia ficou em 1,9 bilhão de reais, em linha com a média diária do mês passado. Em Wall Street, o dia também foi positivo, com o Dow Jones avançando mais de 0,5 por cento e o indicador de principais ADRs brasileiras exibindo alta de 1,56 por cento. "Ontem teve fluxo de estrangeiros (na Bovespa) e hoje de novo. E lá fora o Dow Jones está nas máximas, então acho que essa esticada lá sustentou aqui também", comentou o operador de uma corretora paulista de médio porte. A ata do banco central norte-americano mostrou que seus membros debateram na última reunião sobre como preparar o terreno para pôr fim ao ciclo de aumento do juro. Juros menores nos Estados Unidos aumentam a atratividade de investimentos em ativos mais arriscados, como os do Brasil. Internamente, nesta tarde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Palocci fica no governo até o fim de seu mandato e que sua presença é "imprescindível" para o Brasil, afastando definitivamente rumores de saída do ministro, já arrefecidos na véspera após mais de nove horas de depoimento de Palocci à Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Na quinta-feira, feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, o volume de negócios deve ser mais fraco e o mercado pode ficar mais volátil. Analistas não esperam grande impacto no mercado caso o Comitê de Política Monetária siga as expectativas e corte a Selic em 0,5 ponto esta noite, para 18,50 por cento ao ano. BRADESCO É DESTAQUE DE ALTA As ações do Bradesco subiram 3,03 por cento, com o segundo maior volume do pregão, contribuindo para a boa performance da Bovespa. A instituição anunciou recompra de 10 milhões de ações, sendo 5 milhões ordinárias e 5 milhões preferenciais, com objetivo de permanência em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento. Além disso, a corretora Merril Lynch elevou o preço-alvo do papel de 73 para 85 reais, seguindo a bonificação anunciada na semana passada, quando o banco deu aos acionistas uma ação nova, da mesma espécie, para cada ação possuída.
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