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19/12/2005 - 17h31 Dólar sobe 9,4% em 9 sessões, e se aproxima de R$2,40
Por Nathália Ferreira SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançou quase 10 por cento nas últimas nove sessões, impulsionado pelo movimento de ajuste de posições por conta das atuações diárias do Banco Central no mercado. Nesta segunda-feira, a divisa norte-americana subiu 1,93 por cento e fechou a 2,382 reais, na maior cotação desde 30 de agosto. Em nove sessões seguidas de alta, o dólar acumula valorização de 9,42 por cento. Segundo analistas, com a presença constante do Banco Central no mercado, tanto no leilão de swap cambial reverso quanto no leilão de compra de dólares, as tesourarias têm optado por reduzir suas fortes posições vendidas. As atuações também acabam enxugando a liquidez e aumentando a pressão sobre o câmbio. "É o Banco Central que está forçando isso (ajuste), vai depender dele, até onde ele quer o dólar", afirmou Hideaki Iha, analista de mercado da corretora Souza Barros. "Enquanto ele continuar soltando o leilão de swap e o no spot (mercado à vista), vai mostrar que ainda não está satisfeito com o nível de taxa." Nesta tarde, o BC vendeu 9.600 contratos de swap cambial reverso, de uma oferta máxima de 12.500, em uma operação equivalente a 461,6 milhões de dólares. A venda desses swaps tem o efeito de uma compra futura de dólar, e o mercado ganha quando a variação do juro supera a do câmbio. O BC também realizou perto do fechamento um leilão de compra de dólares e aceitou três propostas, com taxa de corte de 2,377 reais. Mas dados divulgados pelo Banco Central nesta manhã mostraram que as tesourarias bancárias mantêm posição vendida em dezembro até o dia 16, em 3,51 bilhões de dólares. Em novembro, os bancos estavam vendidos em 3,42 bilhões de dólares. Para Iha, a explicação para o aumento da posição vendida mesmo com o movimento contínuo de zeragem está no fato de que muitos bancos podem manter a aposta na queda do dólar, mas fazerem "hedge" (proteção) no mercado futuro para oscilações mais bruscas. Uma mudança brusca de posição, explica Iha, só aconteceria por uma alteração brusca no cenário econômico, o que não está acontecendo. O analista acrescenta ainda um outro fator: "Os bancos não estão vendidos nessas taxas baixas, eles estão bem posicionados", disse. Iha destacou ainda que altas acentuadas como a desta sessão podem demonstrar um movimento chamado de "stop loss". Os bancos trabalham com um nível específico de dólar e, quando essa cotação é atingida, eles preferem comprar a moeda norte-americana antes que ela suba mais. O diretor de câmbio da corretora Novação, Mário Battistel lembrou que o volume de negócios no fim do ano costuma diminuir, o que provoca altas "artificiais" no preço do dólar já que qualquer compra mais significativa pressiona o câmbio. O questionamento do mercado agora, segundo os analistas, é até quando o Banco Central continuará atuando no mercado e impulsionando o preço do dólar.
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