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11/05/2006 - 15h11
Unibanco freia crédito pessoal, mas lucro cresce 30%

Por Marcelo Mota

SÃO PAULO (Reuters) - O Unibanco fechou nesta quinta-feira o ciclo de divulgação de resultados dos três líderes do varejo bancário privado do Brasil contando uma história sobre o primeiro trimestre semelhante à contada durante a semana pelos seus rivais, mas de forma um pouco diferente.

Nos três o destaque foi o avanço da inadimplência, consequência do risco mais elevado dos empréstimos concedidos no varejo. Mas como esse segmento é mais rentável que outros, a deterioração da qualidade da carteira não chegou a comprometer a margem financeira e os lucros reportados foram recordes para o primeiro trimestre.

No Unibanco, foi de 520 milhões de reais, 29,7 por cento maior que no mesmo período do ano passado. Bradesco e Itaú lucraram quase o triplo disso, e se protegeram elevando fortemente as provisões para perdas com créditos de liquidação duvidosa (PDD). O Unibanco também fez provisões, mas além disso pisou no freio na concessão de financiamento ao consumo.

"Como estamos em uma fase no país de crescimento acelerado de expansão do crédito, nessas carteiras de crédito pessoal sem garantias fomos mais restritos na concessão", disse a jornalistas o vice-presidente Corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia, em conferência telefônica para apresentação dos resultados.

"E é por isso que a nossa carteira cresceu um pouco menos nesse segmento do que os outros do mercado", explicou Travaglia, citando a expansão de 21 por cento nesse segmento, em comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Ainda assim, o varejo puxou o crescimento da carteira do Unibanco, com 25,4 por cento ante março de 2005. O desempenho foi liderado pelas operações de cartões de crédito, que cresceram mais de 50 por cento.

Com isso, o varejo passou a responder por uma fatia de 57 por cento da carteira total da instituição, que no final de março era de 39,684 bilhões de reais. Mas o efeito da desvalorização do real sobre a carteira de atacado, aliado à retração no financiamento ao consumo, se fizeram sentir.

Entre janeiro e março deste ano, a carteira de crédito total do banco encolheu quase 0,5 por cento. Segundo o vice-presidente do Unibanco, a inadimplência não deve aumentar mais e, gradualmente, o banco pretende retomar o ritmo de concessão anterior.

Em março, a parcela de empréstimos com atraso de mais de 60 dias correspondia a 5,6 por cento da carteira, ante 5,2 por cento, em dezembro, e 5,1 por cento, em março do ano passado. No segmento de financeira, saiu dos 8 por cento tradicionais para 10,1 por cento, na comparação anual.

Diante desse quadro, a seletividade na concessão serviu para evitar despesas ainda maiores com provisões, sem prejuízo da cobertura contra inadimplência.

O saldo de PDD alcançou 2,214 bilhões de reais em março, o suficiente para cobrir 5,6 por cento da carteira. Em março do ano passado, a cobertura era de 5,1 por cento.

Mas o risco corrido no crédito de varejo foi, assim como nos concorrentes, bem compensado pela margem financeira da operação. O resultado da intermediação financeira no primeiro trimestre foi de 1,7 bilhão de reais, 11,9 por cento acima do obtido um ano antes. A margem financeira anualizada, que antes de PDD ficou em 10,9 por cento, depois dessas despesas ficou em 7,6 por cento.

Para o analista da ABN Corretora, José Francisco Cataldo, a linha final acabou ficando dentro do previsto, apesar da inadimplência, que surpreendeu em todos os bancos.

"A intermediação financeira e o lucro final vieram dentro da minha expectativa", disse o analista, que apenas viu uma maneira diferente de tratar o problema da inadimplência no modo como o Unibanco procedeu.