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24/08/2006 - 13h53 Setor público economiza menos que o esperado em julho
Por Cesar Bianconi BRASÍLIA (Reuters) - O setor público consolidado do Brasil encerrou julho com um superávit primário bem menor que o esperado. Governo federal, Estados, municípios e empresas estatais economizaram 5,615 bilhões de reais para o pagamento de juros da dívida pública. A cifra, divulgada pelo Banco Central nesta quinta-feira, é a menor para meses de julho desde 2003. Doze economistas consultados pela Reuters estimavam, em média, que o resultado primário das contas públicas seria superavitário em 8 bilhões de reais. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirmou que em "julho há uma sazonalidade adversa" do ponto de vista das receitas e das despesas, em relação ao mês anterior. Em junho, o superávit foi quase o dobro, de 10,444 bilhões de reais. Houve também desaceleração frente aos 8,796 bilhões de reais de julho do ano passado. Altamir Lopes mencionou o recolhimento de Imposto de Renda que ocorre no último mês do semestre, "e não tem incidência em julho", pelo lado da arrecadação. Pela despesa, o governo inicia em julho o pagamento de PIS/Pasep e antecipa parte do 13o salário aos servidores públicos federais. No acumulado em 12 meses, o superávit primário do setor público consolidado é equivalente a 4,33 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) --ligeiramente acima da meta de 4,25 por cento do PIB estipulada para o ano. "Se nós olharmos com um pouco mais de cuidado, vamos observar que em anos anteriores tivemos (resultados em 12 meses) abaixo da meta. Em 2004 tínhamos meta de 4,5 por cento e, de fevereiro a julho, estivemos abaixo da meta. Isso não é nenhuma novidade... O que diz, na verdade, é chegar ao final do ano e cumprir a meta estabelecida", enfatizou. Todas as esferas de governo registraram resultados primários positivos em julho. O governo central contribuiu com 3,601 bilhões de reais, enquanto Estados e municípios apuraram um saldo positivo de 1,677 bilhão de reais. As empresas estatais também tiveram superávit primário, mas bem abaixo do visto no mês anterior e em julho de 2005. Essas empresas acumularam superávit primário de 337 milhões de reais em julho, ante 2,095 bilhões de reais em junho e 1,964 bilhão de reais de junho de 2005. De acordo com o chefe do BC, esse resultado depende de decisões de gestão das companhias públicas. De janeiro a julho, o superávit acumulado pelo setor público brasileiro é de 62,769 bilhões de reais, valor menor que os 68,745 bilhões de reais dos primeiros sete meses do ano passado. JUROS NOMINAIS Em julho, o setor púlico brasileiro gastou 13,455 bilhões de reais com o pagamento de juros, o que gerou um déficit nominal nas contas de 7,840 bilhões de reais. Nos sete primeiros meses do ano, os juros nominais somaram 95,096 bilhões de reais --a maior cifra para o período desde o início da série histórica do BC, em 1991. Conforme Altamir Lopes, isso decorre da mudança do perfil da dívida e também do resultado do BC com operações de swap cambial, que entra na conta de juros. Em 12 meses, contudo, os juros nominais já indicam queda, refletindo a redução da taxa Selic que começou em setembro do ano passado. O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público ficou estável em 50,3 por cento do PIB em julho. "É o patamar mais baixo desde abril de 2001. O que se espera é que essa relação se mantenha estável ou em queda, e certamente em 2007 vamos observar redução um pouco mais pronunciada", disse.
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