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19/12/2006 - 17h12

Empresas brasileiras vão às compras no exterior

SÃO PAULO (Reuters) - No mundo corporativo, o ano de 2006 foi marcado por incursões de empresas brasileiras no mercado internacional.

Confira alguns negócios anunciados neste ano envolvendo grupos nacionais.

COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL (CSN)

Depois de ver frustrada sua tentativa de união com a siderúrgica Corus em 2002, a brasileira CSN ofereceu em 11 de dezembro 4,9 bilhões de libras (US$ 9,7 bilhões) pela empresa anglo-holandesa. A proposta supera a feita pela indiana Tata Steel pela Corus, mas analistas acreditam que a disputa até a definição do comprador pode se estender.

A conclusão do negócio, seja com CSN ou Tata Steel, criará o quinto maior grupo siderúrgico do mundo. Para analistas, a empresa brasileira leva vantagem porque poderá obter mais sinergias em uma eventual combinação com a Corus.

COMPANHIA VALE DO RIO DOCE

A maior produtora mundial de minério de ferro anunciou em agosto oferta de compra da canadense Inco, com forte presença no mercado global de níquel, ao preço de 86 dólares canadenses por ação ordinária. Após duas etapas de compra, a última delas em novembro, a Vale do Rio Doce ficou com 86,57% das ações da Inco com direito a voto.

A empresa brasileira já desembolsou mais de US$ 15 bilhões, e o dispêndio para ter 100% da Inco deve superar os US$ 17 bilhões. A empresa combinada se tornou a segunda maior mineradora diversificada do mundo.

GERDAU

O grupo siderúrgico de controle familiar é o maior produtor de aços longos das Américas. O avanço mais pronunciado no mercado internacional ocorreu em 2002, quando a Gerdau e a canadense Co-Steel anunciaram a fusão de seus negócios na América do Norte, criando a Gerdau Ameristeel.

Neste ano, no final de junho, a Gerdau adquiriu a peruana Siderperú, pagando US$ 60,6 milhões pelo controle e assumindo dívidas de cerca de US$ 102 milhões. Em novembro, a empresa brasileira desembolsou outros US$ 40,2 milhões para elevar sua posição na Siderperú a cerca de 83% do capital.

Na América do Norte, em junho a Gerdau Ameristeel completou a compra da norte-americana Sheffield Steel. Antes disso, em março, o grupo comprou a processadora de sucata Fargo Iron and Metal Company e a companhia de serviços voltados à construção civil Callaway Building Products, ambas nos EUA.

AMBEV

Responsável pelas operações nas Américas da InBev, maior produtora mundial de cerveja formada em 2004, a brasileira AmBev finalizou em agosto deste ano operação de US$ 1,25 bilhão para elevar sua participação na Quinsa de 56,72% para 91,18%.

A Quinsa tem forte presença na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, além de participação no mercado chileno. Em novembro, a AmBev anunciou uma oferta pública para adquirir as ações da Quinsa que ainda não detém.

ITAÚ

Depois de comprar a subsidiária brasileira do BankBoston por US$ 2,2 bilhões em ações, operação anunciada em maio, o grupo Itaú assinou em novembro acordo com o Bank of America para aquisição do BankBoston International, com sede em Miami, e do BankBoston Trust Company Limited, sediado em Nassau.

O valor do negócio é de US$ 55 milhões, acrescidos do patrimônio líquido das empresas, estimado em US$ 100 milhões. A operação inclui cerca de 5.500 clientes de private banking na América Latina e ativos financeiros sob gestão de aproximadamente US$ 3,7 bilhões.

BRASKEM

Em abril, a maior petroquímica da América Latina assinou acordo com a Pequiven, subsidiária da petrolífera venezuelana PDVSA, para desenvolver e implantar um pólo petroquímico na Venezuela, com investimento entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões.

A Braskem substituiu a norte-americana ExxonMobil no projeto do Complexo de Olefinas de Jose, no leste da Venezuela. O projeto inclui a produção de mais de 1,2 milhão de toneladas de eteno por ano a partir de gás natural, com unidades de polietilenos e outros petroquímicos de segunda geração.

Além dessa iniciativa ainda no papel, as duas companhias devem iniciar em 2007 a construção de uma nova fábrica de polipropileno no Complexo de El Tablazo, oeste da Venezuela, com capacidade anual de 400 mil toneladas por ano.

SANTISTA TÊXTIL

A empresa brasileira e a espanhola Tavex Algodonera anunciaram em março a fusão de seus negócios. A operação foi aprovada em junho. Combinadas, as duas companhias têm liderança global no mercado de denim (tecido usado na produção de jeans), com capacidade para produzir 150 milhões de metros anuais e receita anual acima de US$ 500 milhões.

(Por Cesar Bianconi)

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