
Por Juliana Siqueira
SÃO PAULO (Reuters) - Os mercados brasileiros receberam novo golpe nesta quinta-feira, contaminados pelo mau humor externo depois que o BNP Paribas suspendeu resgates em alguns fundos.
Embora executivos com larga experiência no país sejam unânimes em dizer que a economia local está hoje mais bem preparada, ninguém garante que a turbulência derivada do setor de crédito de risco norte-americano será passageira.
"A restrição de liquidez que aumenta a aversão ao risco geraria no passado um resultado devastador no risco-país, o que não acontece hoje tanto", afirmou o ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos Gustavo Franco.
Ele ponderou, no entanto, que é difícil medir o tamanho da crise do setor de hipotecas de alto risco (subprime). "Se a situação se restringir aos fundos, não vai ter problema. A preocupação é se chegar dos fundos para os bancos."
O ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Investimentos, avaliou que, com a economia local mais segura e o risco menor, os ativos brasileiros podem passar a ser "muito mais atrativos".
Para Rodolfo Riechert, co-diretor de Investment Banking do UBS Pactual, os mercados tendem a ficar voláteis por mais algum tempo. "A história (da extensão da crise de crédito) ainda não está contada", disse ele, acrescentando que o Brasil não deve ser atingido de forma relevante.
Riechert também avaliou como positivas as ações de bancos centrais nesta quinta-feira para prover liquidez ao mercado.
O UBS é um dos principais bancos que lideram operações de oferta de ações no país.
Às 14h30, o principal índice da Bovespa perdia 2,7 por cento, enquanto o dólar disparava 2 por cento, para 1,926 real. Numa reação mais contida, o risco Brasil subia 6 pontos, para 182 pontos-básicos.
(Com reportagem adicional de Elzio Barreto)