23/08/2007 - 16h28
Entrada de moeda faz dólar cair mais de 1% e fechar abaixo de R$ 2

Por Silvio Cascione
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuou 1,24% nesta quinta-feira e abandonou o patamar dos R$ 2 após pouco mais de uma semana, influenciado pelo fluxo cambial positivo em uma sessão marcada pela cautela com a fraqueza nas Bolsas de Valores internacionais.
A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 1,988. Mesmo com a queda, porém, o dólar ainda acumula alta de 5,58% em agosto.
O mercado de câmbio já abriu em forte baixa, influenciado pela recuperação das ações desde a sessão anterior e pela notícia de que a maior concessora de hipotecas dos Estados Unidos, a Countrywide, terá financiamento do Bank of America para superar os problemas associados ao crédito de alto risco.
Ao longo do dia, porém, o dólar manteve-se perto do nível da abertura, acompanhando a instabilidade nas Bolsas. Uma queda um pouco mais acentuada em Wall Street no final da manhã fez o dólar até recuperar brevemente os R$ 2.
Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, avalia que o mercado deverá continuar cauteloso e volátil por algum tempo, monitorando notícias negativas que possam surgir sobre as condições de crédito e liquidez globais.
"Depois de passada a crise, os investidores devem prosseguir mais criteriosos e dificilmente devem retomar os apetites por risco para os níveis que eram registrados antes do início da crise", disse.
Em meados de julho, antes do início da turbulência, o dólar chegou a fechar a R$ 1,843, menor cotação desde 2000. Desde então, a divisa acumula valorização de quase 8%.
Fluxo positivo
Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, afirmou que a entrada de capital trazido pelo comércio exterior ajudou a manter o dólar em queda nesta sessão.
"Os exportadores e os detentores de moeda estrangeira que vislumbravam uma taxa maior da moeda no início da semana, quando perceberam que essa situação dificilmente vai ocorrer, passaram a se desfazer dessa moeda estrangeira e a fechar câmbio", comentou.
As operações comerciais têm sustentado o fluxo cambial positivo, que de acordo com dados do Banco Central ficou positivo em US$ 6,118 bilhões no mês até o dia 21. O segmento comercial está positivo em US$ 6,917 bilhões e o financeiro acumula saldo negativo de US$ 799 milhões, segundo o diretor do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Para Miriam, no entanto, a queda do dólar nas últimas sessões desestimulou os exportadores a adiantar operações de câmbio, o que pode ter reduzido o volume de ingressos no país.
"Os exportadores estão fechando somente o que estão precisando... Como a taxa (de câmbio) caiu e os juros de ACC (Adiantamento sobre Contratos de Câmbio) estão um pouco mais altos, eles talvez estejam esperando para ver se o mercado (dólar) volta a subir", disse.
Outro dado que foi divulgado nesta quinta-feira mostrou que os bancos inverteram a posição de câmbio e tinham, em 21 de agosto, US$ 1,328 bilhão em posição comprada em dólares. As instituições financeiras mantiveram posição vendida durante todo o ano, e no final de maio, antes de medidas do BC para reduzir a exposição cambial, chegaram a ter o maior montante já registrado --US$ 15,79 bilhões em posição vendida.