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28/08/2007 - 08h25

BC do Japão já estava preocupado com crédito no início de julho

TÓQUIO (Reuters) - Alguns integrantes do comitê de política monetária do Banco do Japão mostraram-se preocupados, já no início de julho, com a possibilidade dos mercados financeiros globais serem contaminados pelos problemas do segmento de crédito imobiliário de alto risco dos Estados Unidos.

De acordo com a ata da reunião do comitê realizada nos dias 11 e 12 de julho, divulgada nesta terça-feira, muitos integrantes da diretoria do banco central japonês também afirmaram na época que ainda existiam muitas incertezas sobre os ajustes no mercado imobiliário norte-americano por conta dos problemas no segmento de crédito de alto risco ("subprime").

"Se tais problemas forem afetar os mercados de crédito, embora isso não tenda a acontecer, não se pode descartar a possibilidade da situação econômica e financeira mundo à fora, incluindo a do Japão, seja negativamente afetada", afirmaram os diretores, de acordo com o documento.

Os mercados financeiros foram sacudidos logo em seguida, o que fez com que o BC japonês decidisse por manter a taxa básica de juro do país inalterada na reunião realizada na semana passada. Antes da turbulência, os mercados consideravam como certo um aumento na taxa de juro japonesa em agosto.

Os nove integrantes do comitê de política monetária do Banco do Japão decidiram, por oito votos a um, manter a taxa de juro em 0,50%, tanto na reunião de julho, quanto na de agosto.

"É interessante perceber que os integrantes do comitê já estavam atentos aos problemas do subprime em julho, fazendo referência à possibilidade deles afetarem os mercados de crédito", afirmou Masaaki Kanno, economista-chefe do JP Morgan Securities no Japão.

"Agora nós esperamos que o Banco do Japão possa elevar a taxa de juro em novembro, no mínimo, porque o banco levará outros dois meses para ver como os problemas dos empréstimos subprime podem afetar a economia real a partir da análise dos próximos dados econômicos que sairão em setembro", acrescentou.

(Por Tetsushi Kajimoto)

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