! IP coloca Inpacel à venda e Stora Enso analisará negócio - 27/07/2005 - Valor Online
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27/07/2005 - 11h55
IP coloca Inpacel à venda e Stora Enso analisará negócio

SÃO PAULO - Em meio ao anúncio de sua reestruturação global, a International Paper (IP) colocou à venda a fábrica da Inpacel, no Paraná. E pelo menos um potencial interessado já se dispôs a analisar a única fabricante do Hemisfério Sul de papel couchê de baixa gramatura (LWC) - um tipo de papel usado pelo mercado de revistas e folhetos comerciais.

" Temos avaliado todas as possibilidades de investimentos no Brasil " , disse o vice-presidente da divisão da América Latina da Stora Enso, Otavio Pontes. " Neste caso específico, estamos aguardando uma definição da IP sobre como ela vai proceder na venda dos seus ativos, para podermos avaliar eventuais possibilidades " , completou o executivo da empresa sueco-finlandesa, que já produz celulose no país na Veracel, em sociedade com a Aracruz.

A IP informou que contratou nos EUA o Credit Suisse (o antigo CSFB) para conduzir a venda de seus ativos. Mas não deu detalhes sobre o valor da companhia nem sobre eventuais interessados. " A Inpacel é uma organização forte, extremamente competitiva, com uma gestão eficiente e composta de pessoas profissionais e dedicadas " , disse o presidente e diretor-executivo da IP no Brasil, Maximo Pacheco.

Além da Inpacel, a IP estuda vender os 50 mil hectares de florestas de pinus adjacentes à unidade industrial, além da serraria e a IAF Inpacel Agroflorestal, empresa de toras de madeira. Esses ativos empregam mais de 700 funcionários. Estima-se que o faturamento anual da Inpacel esteja ao redor de R$ 500 milhões, produzindo 205 mil toneladas de papel couchê por ano.

Em 2004, a Stora Enso tentou comprar a Ripasa, mas perdeu a disputa para a Suzano Papel e Celulose e a Votorantim Celulose e Papel (VCP) que se juntaram para impedir a venda para um estrangeiro. A própria IP chegou a analisar os números da Ripasa.

Desta vez, pelo menos um dos fabricantes nacionais está fora de combate pela Inpacel. A Suzano já descartou a hipótese de analisar a compra da empresa. " Não faz parte do nosso foco de negócios " , disse o diretor financeiro e de relações com os investidores da Suzano, Bernardo Szpigel.

A VCP, por sua vez, não se manifestou sobre o assunto. A analista especializada no setor de papel e celulose do Banco Espírito Santo (BES), Monica Araujo, avalia que a VCP está se consolidando como um grande concorrente e poderia analisar o negócio. " Se é que já não começou a avaliar " , disse.

A intenção da IP, dona da marca Chamex, é focar seus negócios em embalagens e papéis não-revestidos no mundo. Prova disso é o desejo de levar adiante o projeto de investir mais de US$ 1 bilhão em uma nova fábrica de papel para imprimir e escrever no Mato Grosso do Sul.

" Nosso conselho de administração aprovou recentemente os recursos necessários para terminarmos o projeto de detalhamento de engenharia, o qual será finalizado em dezembro " , disse Pacheco. Os projetos de engenharia, financeiro e suprimentos serão concluídos neste semestre.

A fábrica da Inpacel pertencia ao grupo Bamerindus. Com as obras de modernização da unidade no início dos anos 90, que superdimensionaram a capacidade da fábrica, a Inpacel começou a drenar recursos do banco que pertencia ao ex-ministro José Eduardo Andrade Vieira. Segundo analistas, este foi um dos motivos que levaram a instituição à lona. Depois da intervenção do Banco Central no grupo, a Inpacel foi levada, em 1998, à leilão na Bolsa do Rio de Janeiro e foi comprada pela Champion, vendida posteriormente à IP em 2000.

(André Vieira | Valor Econômico)