! PSDB paulista apóia Alckmin e sela racha - 22/02/2006 - Valor Online
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22/02/2006 - 09h27
PSDB paulista apóia Alckmin e sela racha

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência pelo PSDB, tornou ontem ainda mais difícil a construção de um consenso em torno da candidatura do prefeito de São Paulo, José Serra. Alckmin recebeu para um almoço o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador mineiro Aécio Neves e o presidente da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), com uma demonstração de força: a unanimidade de toda bancada estadual tucana, formada por 22 parlamentares, além do apoio fechado do diretório estadual do partido.

Durante o almoço, o trio não fez um apelo para que Alckmin aceitasse a hipótese de retirar a candidatura, como os serristas esperavam. " Não estou pedindo a ninguém que desista de nada " , disse Tasso, no fim do encontro, voltando a admitir a possibilidade de a candidatura não ser decidida pela cúpula da sigla: " No caso de não haver um entendimento, poderemos discutir critérios para alguma disputa. Mas, continuo acreditando que podemos chegar a um entendimento " .

O senador cearense garantiu, de forma categórica, que nenhum dirigente pediu para que um dos dois postulantes desista, mas que ambos avaliem as circunstâncias de suas candidaturas. " Para mim vai ser um fracasso pessoal muito grande se não conseguir esse entendimento " , afirmou.

O resultado da reunião foi avaliado como positivo pelo governador, que deixou claro mais uma vez não estar disposto a retirar sua candidatura para viabilizar o consenso em torno de seu adversário. Com a demonstração de força local e manifestações isoladas, como a da viúva do antigo governador Mário Covas, Lila, contra a saída de Serra da prefeitura, o prestígio demonstrado pelo prefeito ao reunir a cúpula tucana em um restaurante de luxo em São Paulo, na semana passada, teria sido neutralizado.

Os dirigentes do partido que tendem para Serra também consideraram a reunião da semana passada estrategicamente errada, já que, ao não ser acompanhada de uma manifestação explícita para o governador retirar a candidatura, permitiu que Alckmin arregimentasse apoios dentro e fora de São Paulo. Se não ganhar a candidatura, Alckmin deixou claro que Serra não terá como ser candidato sem o seu apoio explícito. A recíproca, entretanto, não é verdadeira.

Presidente do diretório estadual paulista, o deputado Sidney Beraldo transmitiu a manifestação de apoio a Alckmin ao próprio José Serra, que estava no Palácio dos Bandeirantes. O prefeito foi à sede do governo estadual para assinar um convênio de cessão de terrenos. Antes da solenidade, teve um encontro com o governador, assistido pelo secretário estadual da Casa Civil, Arnaldo Madeira, e o secretário municipal de Governo, Aloysio Nunes Ferreira Filho. Segundo Serra, tratou-se apenas de questões administrativas.

" A renúncia de Serra poderia trazer um prejuízo à imagem do partido e a ele mesmo " , argumentou Beraldo, depois de se encontrar com o prefeito. Beraldo defendeu uma consulta à base partidária, um dos temas debatidos depois por Alckmin com o " triunvirato " tucano, que durou três horas.

Durante a tarde, Alckmin continuou com a sua movimentação agressiva pela candidatura. Viajou para um jantar em Brasília, com a bancada do PSDB no Congresso. Foi recebido na casa de um apoiador de Serra, o deputado licenciado Eduardo Gomes (TO). O deputado tocantinense, antes do jantar, afirmou que a ala serrista diria que a consulta direta às bases feita pelo governador não era bem vinda e proporia uma condição: " Ele receberá o apoio caso o partido o defina como candidato. Mas se o escolhido for o Serra, Alckmin deverá apoiá-lo de forma incondicional " . No rastro do governador, Serra também foi à Brasília, para a posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes. O limite estabelecido pelos dirigentes para resolver o dilema é a primeira quinzena de março.

(Valor Econômico)