24/03/2006 - 18h57 Coaf nega ter pedido investigação da PF sobre contas do caseiro
BRASÍLIA - O Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgou nota para afirmar que seus membros são técnicos, sem vínculo político, e que "não realiza devassa na vida das pessoas". Órgão do Ministério da Fazenda, o Coaf explicou que "não solicita ou requer à Polícia" a investigação de pessoas.
A nota não menciona, mas foi divulgada em razão da informação dada ontem, pela Polícia Federal, de que o caseiro Francenildo Costa passou da condição de testemunha a " intimado " , a pedido do Coaf, sob suspeita de lavagem de dinheiro.
De acordo com o advogado de Francenildo, a PF disse a seu cliente que o Coaf pediu a abertura de inquérito para investigar a movimentação de R$ 38,8 mil em sua conta bancária. Francenildo teve seu sigilo bancário quebrado na Caixa Econômica Federal, depois que contradisse o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na CPI dos Bingos.
Na nota, o Coaf diz que funciona como " agregador de informações, um grande banco de dados " para rastreamento de lavagem de dinheiro.
" O Coaf não realiza investigações " , diz a nota. " Não tem poderes para tal. Não conhece as pessoas ou clientes para julgar se suas movimentações financeiras são ou não suspeitas. "
Esclarece a nota que os bancos são obrigados a informar ao órgão qualquer movimentação financeira a partir de R$ 10 mil, que passam a ser consideradas " suspeitas " . E também acima de R$ 100 mil, chamadas de " comunicados de operações em espécie. "
" Os relatórios do Coaf são encaminhados às autoridades competentes " assim que chegam as comunicações sobre movimentação bancária suspeita, " muitas vezes em menos de 24 horas " , diz a nota.
O Coaf afirma que não pede a abertura de investigações à polícia ou ao Ministério Público. " Apenas lhes fornece informações, pelo encaminhamento dos relatórios de inteligência. Compete aos destinatários desses relatórios implementar as providências que julgarem cabíveis. " (Azelma Rodrigues | Valor Online)
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