27/03/2006 - 19h17 Setor produtivo mostra tranqüilidade com saída de Palocci
SÃO PAULO - Entidades representantes do setor industrial demonstram tranqüilidade em relação ao cenário econômico após o pedido de afastamento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, feito nesta tarde. Tanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) quanto a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se posicionam de modo positivo à possível nomeação de Guido Mantega, atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a pasta da Fazenda. O nome de Mantega ainda não foi confirmado pelo governo.
Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elogia o trabalho feito por Palocci ao longo dos últimos anos, mas considera que a situação de instabilidade do ministro era "indesejável".
"A saída do ministro Palocci sem dúvida nenhuma é algo lamentável, pois ele imprimia à condução da política econômica uma postura serena e equilibrada. Por outro lado, esses fatos que envolveram o ministro e se relacionam à vida anterior ao Ministério, contribuíram para criar em torno dele um certo clima de instabilidade e de questionamentos. Isso é, para um ministro da Fazenda, algo indesejável", completa o dirigente.
Segundo ele, o fundamental neste momento é assegurar a continuidade da política econômica que vinha sendo adotada até agora. "O importante é que o Presidente (Lula) afirme seu compromisso com certas diretrizes da política econômica que devem ser preservadas", afirma.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, por sua vez, prefere não emitir opinião sobre a decisão do ministro de se afastar do cargo e reforça que, "para a entidade, seja quem for o ministro, será mantido o diálogo hoje existente e prevalecerão, sempre, os interesses do Brasil", diz.
No que diz respeito à transição, a entidade informa que não cabe opinião sobre a saída do ministro, e nem mesmo sobre a escolha do seu substituto. Ainda, assim a nota menciona que o dirigente do BNDES, Guido Mantega, tem "excelente relacionamento" com a Fiesp.
"Seja qual for o quadro futuro, o Brasil está maduro para receber as modificações no Governo e seguir em busca do desenvolvimento. A economia, como já vem acontecendo, não deverá ser abalada", diz Skaf.
Para a CNI, a indicação de Mantega foi bem recebida pelo setor produtivo. "Acho que o Presidente foi feliz na escolha. Guido Mantega alia a formação técnica a uma boa base teórica, é um economista respeitado e, ao mesmo tempo, revelou, como ministro do Planejamento e presidente do BNDES, competência no desempenho das funções", declara Monteiro Neto.
(Valor Online)
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