27/03/2006 - 20h28 Novo ministro da Fazenda diz que trabalhará por um corte maior dos juros
BRASÍLIA - O novo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que trabalhará pelo corte maior de juros, em benefício da expansão econômica. "O Brasil já conseguiu controlar a inflação e isso nos permite uma redução sistemática dos juros", disse há pouco, na sua primeira entrevista coletiva no cargo. Segundo ele, o início de 2006 aponta uma evolução da atividade e o país tem condições de crescer "entre 4% e 4,5% neste ano".
Mantega reforçou que "o governo fará todo o esforço para que os juros sejam reduzidos cada vez mais", a fim de "viabilizar o desenvolvimento sustentável". Conforme notou Mantega, a política de metas de inflação está dando certo e não será alterada.
Ele ponderou que a política de juros é de competência do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). " Mas eu como membro do Conselho Monetário Nacional (CMN) estarei interagindo com Copom " .
O novo ministro elogiou a condução da política econômica por Antonio Palocci e destacou que o país está com a inflação sob controle, com as contas públicas equilibradas e com a situação externa em boa forma. Segundo ele, os indicadores macroeconômicos constatam que o mercado interno " está se robustecendo e a massa salarial, crescendo " .
Na entrevista coletiva, Mantega prometeu dar continuidade à política econômica conduzida por seu antecessor. "A política econômica não mudará", resumiu. "Essa política não é do Palocci, nem da ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil) nem do ministro Paulo Bernardo (Planejamento). É do presidente Lula. Ele é o fiador desta política econômica. "
Mantega disse que as diretrizes não vão mudar porque a atual política econômica é, segundo ele, a mais bem-sucedida dos últimos anos e está levando o Brasil a um novo ciclo de crescimento. Citou a criação de 3,7 milhões de empregos formais durante o governo petista para comprovar o êxito.
" O presidente Lula deu-me a incumbência de dar continuidade ao trabalho " , ressaltou o novo ministro. " Vamos continuar, está sendo muito eficiente, muito proveitoso. A economia está crescendo, estamos gerando emprego, o Brasil tem competitividade, disputa mercados, e será uma potência no futuro.
Mantega se esquivou de tecer comentários sobre a conduta política de Palocci. "Não vou entrar nesse tipo de mérito de julgamento. A questão será elucidada nos próximos dias, investigações serão feitas " , disse, afirmando que a intenção da coletiva era informar apenas que estava assumindo a Pasta. Ele rejeitou a crítica de que o Palácio do Planalto não teria sido eficiente na defesa de Palocci. "O governo não permitiu nada. Cada um é responsável pelos seus atos e eu prefiro não julgar o ministro Palocci e me ater à sua atuação à frente da política econômica " , enunciou".
(Valor Online)
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