! Fiesp e Ciesp acreditam que flexibilização cambial não ajudará a acelerar a atividade industrial - 27/07/2006 - Valor Online
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27/07/2006 - 19h29
Fiesp e Ciesp acreditam que flexibilização cambial não ajudará a acelerar a atividade industrial

SÃO PAULO - O pacote de flexibilização cambial para exportadores, anunciado ontem pelo governo, deverá ter efeito nulo sobre o nível de atividade industrial. A opinião é do diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Antonio Corrêa de Lacerda. Para ele, o conjunto de medidas é positivo para as vendas externas, mas não deve ter reflexos sobre a cotação do dólar e, portanto, a competitividade continuará comprometida. " É uma mudança positiva, mas de efeitos limitados sobre a taxa de câmbio. Tanto é que o efeito sobre o câmbio (após o anúncio de ontem) foi negativo (queda de 0,5% do dólar frente ao real). A expectativa era de ações mais amplas " , diz.

Conforme medidas anunciadas ontem, além de permitir que os exportadores deixem até 30% das receitas de suas vendas no exterior, recursos que não serão tributados de CPMF, o governo vai simplificar o fechamento do câmbio para os 70% que devem continuar a ingressar no país. O exportador poderá fazer no mesmo dia a operação de entrada e saída de dólares. Antes, a exigência era de fechar dois câmbios distintos. E, pelas regras atuais, cada operação de câmbio exige um novo contrato. Além disso, caso os 30% da receita no exterior não sejam suficientes para arcar com os compromissos externos, poderá ser feita uma operação simultânea de compra e venda de moeda.

Ainda assim, Lacerda avalia que se essas medidas forem acompanhadas da continuidade da queda da taxa de juros, é possível que o dólar possa reagir. Com o juro mais baixo, a tendência seria de redução da entrada de capital estrangeiro especulativo. De qualquer modo, o dirigente acredita que a moeda americana feche o ano valendo cerca de R$ 2,30, estimativa feita pelo boletim semanal Focus.

Paulo Francini, diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), concorda com a avaliação do colega da Ciesp. Os reflexos da flexibilização serão tão tímidos, segundo ele, que a entidade não pensa em revisar as projeções para o desempenho da indústria neste ano. Conforme avaliação recente da entidade, o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação deve crescer neste ano apenas 3,5%.

De acordo com Francini, um estudo comparando o comportamento da atividade produtiva em anos com maior ou menos apreciação cambial mostra que a valorização do real é sempre um inibidor do crescimento tanto do PIB geral como do PIB industrial.

Assim, de acordo com o levantamento, a entidade prevê que o PIB do país cresça 3,8%, enquanto o PIB da indústria de transformação avance 3,5%. Se, ao contrário, o dólar estivesse mais valorizado, a indústria cresceria cerca de 5,7%.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)