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07/08/2006 - 12h22
Mercados: Bolsa recua 0,55% sob influência de NY; dólar cai 0,09%

SÃO PAULO - O mercado financeiro local trabalha com os segmentos cambial e acionário em trajetórias divergentes nesta segunda-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda, afetada pela reação negativa dos pregões Wall Street à notícia sobre o fechamento de um campo de petróleo no Alasca e ao impacto de alta desse evento sobre os preços da commodity. Já o dólar desvaloriza-se em relação ao real, influenciado por fluxo positivo e expectativa de estabilidade do juro americano na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), amanhã.

Por volta das 12h15, o Ibovespa perdia 0,55%, aos 37.637 pontos. O volume financeiro era de R$ 420 milhões. A moeda americana perdia 0,09%, negociada a R$ 2,1790 na compra e R$ 2,1810 na venda.

O fechamento do maior campo de petróleo dos Estados Unidos, o Prudhoe Bay, no Alasca, pela britânica BP mina o humor dos investidores nesta jornada. A notícia interrompeu a trégua na alta dos preço da commodity vista no final da última semana, causando desconforto nas bolsas em Wall Street. Instantes atrás, o contrato de WTI para setembro era negociado em Nova York a US$ 76,45, com acréscimo de US$ 1,69.

A notícia da BP acabou pressionando o petróleo, o que sempre pesa um pouco sobre as transações em bolsa, disse o analista da Prosper Gestão de Recursos Gustavo Barbeito. Mas a definição de uma tendência no mercado só deve vir mesmo amanhã, com a decisão do Fomc e com o comunicado que será divulgado com o anúncio da nova taxa básica de juros americana, ponderou ele. Instantes atrás, o Dow Jones cedia 0,43% e o S & P perdia 0,40%.

E a bolsa paulista segue atrelada ao humor externo, disse o consultor de Bovespa da Concórdia Corretora de Valores, Tommy Tateka. Segundo o profissional, a queda no Ibovespa só não é maior por conta da ligeira alta nas ações preferenciais da Petrobras, que respondem sozinhas por 11,278% da carteira do índice. Tais papéis acabam sendo beneficiados pela alta nas cotações do petróleo. Instantes atrás, Petrobras PN subia 0,24%, a R$ 45,80.

Ainda no campo corporativo local, as preferenciais do Bradesco recuam 2,28% nesta sessão, para R$ 72,26 após a divulgação do balanço financeiro do segundo trimestre. O banco encerrou o período com lucro líquido de R$ 1,602 bilhão, alta de 13,2% sobre os mesmos três meses do ano passado. As provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) tiveram um acréscimo de R$ 178 milhões no trimestre e alcançaram um saldo de R$ 5,8 bilhões, em razão do crescimento do índice de inadimplência geral.

Na área cambial, a queda do dólar era influenciada pelo otimismo quanto ao fluxo de recursos para o país e pela expectativa favorável à estabilidade dos juros nos Estados Unidos, observou o gerente de câmbio do Banco Rendimento, Hélio Ozaki. Além disso, complementou Barbeito, o risco Brasil está em leve queda, o que é um fator importante para o segmento cambial. Minutos atrás, o EMBI+Brasil, indicador de risco calculado pelo Banco JP Morgan Chase, cedia 0,91%, aos 218 pontos.

Na avaliação do gerente de câmbio da corretora Novação, José Roberto Carreira, o volume no segmento também não é significativo, o que impede a definição de uma tendência para a divisa. "O mercado está pequeno, com um pouco mais de vendedores, o que ajuda na queda das cotações", disse.

(Paula Laier | Valor Online)