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22/08/2006 - 16h12
Mercados: Otimismo com queda na taxa Selic sustenta queda dos juros na BM & F

SÃO PAULO - A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) encerrou com as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) em queda nesta terça-feira. Declarações de um membro do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) sobre a possível necessidade de algum aperto monetário adicional nos Estados Unidos minaram o humor em Wall Street, respingando no mercado financeiro local. O segmento de DIs, entretanto, passou razoavelmente imune a tal deterioração, em virtude do otimismo em relação a novos cortes na taxa Selic.

O DI janeiro de 2007 caiu 0,01 ponto percentual, para 14,28% anuais. Abril do próximo ano marcou 14,22% ao ano, com queda de 0,01 ponto. O vencimento de julho de 2007 indicou 14,22% anuais, com decréscimo de 0,01 ponto. Janeiro de 2008 terminou a 14,24% anuais, com recuo de 0,04 ponto. A taxa para abril de 2008 caiu 0,06 ponto, para 14,26% ao ano. O DI para julho de 2008 perdeu 0,05 ponto, a 14,25% ao ano.

Até as 16 horas, antes do ajuste final de posições, foram negociados 565,396 mil contratos, equivalentes a R$ 48,80 bilhões (US$ 22,84 bilhões). Ontem, foram fechados negócios com 364,254 mil ativos. O vencimento de janeiro de 2008 era o mais negociado, com 188,635 mil contratos registrados, equivalente a R$ 15,77 bilhões (US$ 7,38 bilhões). No último pregão, foram negociados 93,834 mil contratos nesse DI.

De acordo com o Gustavo Barbeito Lacerda, da Prosper Gestão de Recursos, discursos de dirigentes regionais do Fed nos Estados Unidos nesta terça-feira sugeriram preocupação com inflação, o que trouxe desconforto. Entre eles, Michael Moskow, do Fed de Chicago, disse no início da tarde que "algum aperto adicional na política poderia ainda ser necessário para trazer a inflação de volta para a zona de conforto dentro de um espaço razoável de tempo".

Wall Street passou a operar com os principais índices no vermelho, enquanto a bolsa brasileira acentuou a queda e o dólar acelerou a alta em relação ao real. Há pouco, o indicador americano Dow Jones cedia 0,07%, o brasileiro Ibovespa recuava 1,14% e o dólar valorizava-se 0,28% no mercado brasileiro. Os pregões brasileiros vinham trabalhando "de lado" até tal movimento no cenário externo, notou o diretor da corretora Interfloat, Roberto Lombardi.

O segmento de juros futuros brasileiro, entretanto, teve o impacto da piora externa amenizado pelo otimismo em relação ao rumo da política monetária local. Além de várias revisões para baixo do Produto Interno Bruto (PIB) do país, os participantes do mercado reunidos com diretores do Banco Central (BC) entre ontem e hoje saíram dos encontros animados - ou menos pessimistas - em relação aos próximos cortes da taxa Selic, observou Barbeito.

Tanto os índices de inflação como a perspectiva de crescimento abaixo do desejado levaram a um aumento da corrente no mercado dos que acreditam na continuidade do corte de 0,5 ponto na taxa Selic, notou Roberto Lombardi. Mesmo com uma piora momentânea, prevalece a questão dos fundamentos e perspectivas de que o BC permaneça o ritmo de redução em 0,5 ponto, explicou. "Tal parcela, embora ainda minoria, já passou a ser considerada", disse.

(Paula Laier | Valor Online)