22/08/2006 - 16h42 Lucro de empresas do setor não-financeiro salta 199% no governo Lula
SÃO PAULO - As empresas do setor produtivo tiveram forte crescimento dos lucros no governo Lula, comparativamente ao segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, de acordo com os dados da consultoria Economática. Os ganhos de 180 empresas não financeiras pesquisadas subiu 198,9% nesse confronto, taxa superior aos 80% de aumento no lucro dos bancos. De acordo com os técnicos, o desempenho do setor produtivo reflete a valorização do preço das commodities e do real perante o dólar.
A Economática comparou os dados de balanço de 180 empresas não financeiras e de bancos, considerando os quatro últimos anos do governo FHC e os resultados até junho de 2006 para o governo Lula. Todos os valores foram corrigidos pelo IPCA até 30 de junho de 2006.
Assim, as companhias não-financeiras acumularam lucro de R$ 213,9 bilhões nos últimos três anos e meio, valor 198,9% superior ao ganho de R$ 71,5 bilhões acumulado de 1999 a 2002. Descontando-se a Petrobras, o salto foi ainda maior, de 366%, e o lucro acumulado nos dois mandatos presidenciais passou de R$ 29,2 bilhões para R$ 136,5 bilhões. Já o ganho dos bancos subiu 80%, de R$ 31,9 bilhões para R$ 57,6 bilhões.
De acordo com a Economática, a desvalorização do dólar no governo Lula foi um dos fatores para a elevação dos ganhos do setor produtivo. Pelos dados da consultoria, a moeda americana avançou 192,3% no segundo mandato de FHC, " o que acabou destruindo o lucro das empresas devido ao alto nível de endividamento em moeda estrangeira que elas detêm " . De 2003 até 30 de junho de 2006, porém, o dólar caiu 38,7%, " permitindo às empresas obter ganhos financeiros devido à redução das suas dividas atreladas à moeda estrangeira " , diz nota da consultoria.
Outro motor de crescimento dos lucros foi o aumento das cotações das commodities no mercado internacional nos últimos três anos, que impulsionou a receita de parte das empresas.
Os dois fatores explicam o salto de 440,9% visto pelo lucro das 22 empresas dos setores de Siderurgia e Metalurgia, que passou de R$ 5,2 bilhões para R$ 28,5 bilhões no acumulado dos dois mandatos presidenciais. Outros destaques foram os resultados das 27 companhias do ramo de Energia Elétrica (prejuízo de R$ 17,8 bilhões para lucro de R$ 14,7 bilhões, alta de 182,7%) e das duas empresas de mineração (lucro de R$ 12,514 bilhões para R$ 29,195 bilhões, alta de 133,3%).
Os lucros acumulados caíram em três setores pesquisados: Eletroeletrônicos (-61%), Minerais não Metálicos (-58,5%) e Veículos e peças (-15,4%), de acordo com a pesquisa da Economática. No geral, considerando Petrobras, setor produtivo e bancos, os ganhos das empresas de capital aberto subiram 162,4% na comparação entre o governo Lula e o segundo mandato de FHC, indo de R$ 103,519 bilhões para R$ 271,610 bilhões.