! Mercados: Bolsa caiu 1,29% e dólar subiu 0,28% ontem, após comentários de dirigentes do Fed - 23/08/2006 - Valor Online
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23/08/2006 - 07h40
Mercados: Bolsa caiu 1,29% e dólar subiu 0,28% ontem, após comentários de dirigentes do Fed

SÃO PAULO - Declarações de representantes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) sobre inflação e o rumo da política monetária americana causaram certo desconforto no mercado financeiro ontem, zerando os ganhos em Wall Street e respingando nas operações locais. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou em queda, sem força para acompanhar a melhora dos pregões americanos, enquanto o dólar valorizou-se sobre o real, ajudado pelas aquisições do Banco Central (BC).

No fechamento, o Ibovespa caiu 1,29%, aos 36.677 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 1,92 bilhão. A moeda americana subiu 0,28%, a R$ 2,1360 na compra e R$ 2,1380 na venda. Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a divisa também avançou 0,28%, a R$ 2,138.

Na ausência de notícias relevantes, os pregões brasileiro trabalharam praticamente "de lado" na primeira etapa dos negócios. À tarde, porém, a piora externa repercutiu no humor local. Dirigentes do Fed sugeriram que a alta do juro americano pode continuar, o que, somado ao cenário de desaceleração econômica além dos Estados Unidos, trouxe desconforto, notou o sócio e consultor da MH Advisers, Marcelo Chakmati.

O presidente do Fed de Chicago, Michael Moskow, gerou incômodo ao dizer que "algum aperto adicional na política poderia ainda ser necessário para trazer a inflação de volta para a zona de conforto dentro de um espaço razoável de tempo". Antes dele, o presidente do Fed de Atlanta, Jack Guynn, enfatizou os riscos de tolerar uma elevação na inflação em prol do crescimento econômico.

Em Wall Street, o índice Dow Jones chegou a cair 0,37%, batendo os 11.303 pontos, na mínima do dia. No mercado brasileiro, a bolsa paulista já mostrava fraqueza antes mesmo de tais comentário e acentuou a trajetória declinante. A Bovespa segue dependente do fluxo estrangeiro, que ainda não voltou, justificou Chakmati. "Todo mundo está esperando", disse.

Em razão dessa falta de fluxo, o Ibovespa acompanhou a melhora dos pregões em Nova York. O Dow reduziu a queda no fechamento para 0,05% e o índice S & P 500 retomou o desempenho positivo e encerrou com acréscimo de 0,10%. "Os estrangeiros ainda não voltaram e o investidor local ainda prefere ficar posicionado na renda fixa, aproveitando o elevado nível do juro brasileiro", disse um operador.

Os comentários também fizeram acelerar a alta do dólar, mas, no fechamento, a moeda já havia devolvido parte dos ganhos. O mercado exagerou na reação após o comentário de Moscow e depois devolveu parte dos ganhos", observou o gerente da tesouraria de um banco de investimentos em São Paulo, atribuindo a pequena alta nas cotações ao cenário externo.

Ainda na área cambial, o BC realizou leilão de compra no segmento à vista na parte da tarde, com taxa de corte de R$ 2,1380. Agentes no mercado disseram que a autoridade monetária nacional acatou nove propostas de oito bancos, de um total de 17 propostas de 14 bancos. A taxa mínima foi de 2,1370 e a máxima alcançou R$ 2,1393. Segundo o gerente, o BC comprou cerca de US$ 200 milhões.

O pregão de juros BM & F, entretanto, passou praticamente imune pelo enfraquecimento do mercado em geral. Além de várias revisões para baixo do Produto Interno Bruto (PIB) do país, os participantes do mercado reunidos com diretores do BC nos últimos dois dias saíram dos encontros animados - ou menos pessimistas - em relação aos próximos cortes da taxa Selic, observou Gustavo Barbeito Lacerda, da Prosper Gestão de Recursos.

Tanto os índices de inflação como a perspectiva de crescimento abaixo do desejado levaram a um aumento da corrente no mercado dos que acreditam na continuidade do corte de 0,5 ponto na taxa Selic, reforçou o diretor da corretora Interfloat, Roberto Lombardi. Mesmo com uma piora momentânea, prevalece a questão dos fundamentos e perspectivas de que o BC siga o ritmo de redução de 0,5 ponto, explicou. "Tal parcela, embora ainda minoria, já passou a ser considerada", notou.

(Paula Laier | Valor Online)