! Mesa Diretora do Senado abre representação contra acusados no esquema das sanguessugas - 25/08/2006 - Valor Online
UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA


Últimas Notícias


25/08/2006 - 08h02
Mesa Diretora do Senado abre representação contra acusados no esquema das sanguessugas

BRASÍLIA - A Mesa Diretora do Senado representou ontem contra os três senadores acusados de envolvimento com a máfia das Sanguessugas no Conselho de Ética da Casa. Serys Slhessarenko (PT-MT), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Magno Malta (PL-ES) poderão ser cassados por quebra de decoro parlamentar. Até a instauração formal dos processos - a ser feita na próxima semana -, os parlamentares ainda poderão renunciar ao mandato e escapar da perda do mandato e dos direitos políticos.


A decisão de enviar as três representações foi anunciada na manhã de ontem em nota divulgada à imprensa pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Criticado nos últimos dias por ter atuado regimentalmente para brecar a tramitação dos processos, o pemedebista preferiu não aparecer ontem. Temia novas críticas.


Com a chegada das representações, será necessária a instauração dos processos pelo presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA). O senador está em campanha no Maranhão e só deve retornar a Brasília na próxima semana. Até lá, Suassuna, Serys e Malta terão tempo para renunciar ao mandato. " Não há pressa. Estou em campanha. Na terça-feira vou a Brasília " , disse Alberto.


Havia uma polêmica sobre essa possibilidade de os senadores deixarem os cargos. Na manhã de ontem, o advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, afirmou que, com o envio da representação, uma possível renúncia não livraria os parlamentares do processo. Mais tarde, o jurista reformou seu entendimento. Afirmou que ainda há a dependência da instauração dos processos no Conselho de Ética. Malta, Serys e Suassuna têm reiterado a disposição de seguir no Senado até o fim do processo.


Com a ausência de João Alberto, ficará suspensa também qualquer atuação formal dos relatores dos processos. Ontem mesmo, Alberto conversou com Demóstenes Torres (PFL-GO) e Jefferson Péres (PDT-AM). O pefelista relatará o caso de Serys enquanto o pedetista julgará Suassuna.


Alberto está em dificuldade para encontrar um relator para o caso de Magno Malta. Sibá Machado (PT-AC) havia sido escolhido mas declinou da tarefa. Quando as denúncias começaram a aparecer, Sibá fez discursos a favor de Malta. O presidente do Conselho já conversou com César Borges (PFL-BA), Heráclito Fortes (PFL-PI) e Sérgio Guerra (PSDB-RJ). Nenhum quis assumir o posto. Até o início da noite de ontem, ninguém havia sido escolhido e a decisão poderá demorar mais alguns dias. Cogitam-se até as possibilidades de Demóstenes relatar dois processos ou do próprio João Alberto ficar com o caso de Magno Malta.


O acusado chegou a ironizar a falta de relator para seu processo. " Como não há prova contra mim e eu serei absolvido, ninguém quer pegar o meu caso. Há muita pressão política pela cassação e uma absolvição pegaria mal " , disse Malta. Ontem, o senador voltou a se defender das acusações. " Não tenho emenda para ambulância. Nunca tive. O carro que usei me foi emprestado pelo deputado Lino Rossi (PP-MT), que assume isso " , afirma o senador. O carro citado pelo parlamentar seria o pagamento de propina por ter se comprometido a apresentar R$ 1 milhão em emendas para a compra de ambulâncias.


" Nem tudo que se fala em um depoimento é verdade. Tem que olhar os documentos " , defendeu-se Malta. Ele teria apresentado uma declaração de Lino Rossi na qual o deputado assume ter repassado o carro a Malta sem informar-lhe de que se tratava de veículo da quadrilha.


A próxima reunião do Conselho de Ética está marcada para o dia 5 de setembro. O colegiado pretende votar a convocação de Luiz Antonio Vedoin, dono da Planam e tido como um dos organizadores do esquema das Sanguessugas. Há a possibilidade de votação de quebras de sigilo. Diferentemente do Conselho de Ética da Câmara, o do Senado tem poderes de pedir essas quebras. João Alberto planeja para os dias 25 ou 26 de setembro a votação dos relatórios finais.


(Thiago Vitale Jayme | Valor Econômico)