! Oferta insuficiente de gás natural no Brasil preocupa distribuidores - 14/09/2006 - Valor Online
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14/09/2006 - 11h33
Oferta insuficiente de gás natural no Brasil preocupa distribuidores

RIO - A oferta insuficiente de gás natural no Brasil para atender ao aumento da demanda das distribuidoras, cujo consumo aumentou 20% ao ano desde 1998, foi agravada pela determinação do governo de exigir lastro físico para o gás destinado às termelétricas, em vigor desde 2004.

A exigência de gás disponível para suprimento de todas as térmicas de forma simultânea reduziu a quantidade disponível para as distribuidoras, o que está levando o setor a um quadro de desorientação, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Romero de Oliveira e Silva. E a crise no gás poderá se agravar caso ocorra nova crise no setor elétrico, já que os dois setores estão alinhados.

Em palestra ontem na Rio Oil & Gas, o diretor da Gás Energy, Marco Tavares, alertou que poderá faltar gás no Brasil em 2007 e 2008, o que levará a Petrobras a ter que optar entre cortar o fornecimento da indústria ou das termelétricas em caso de crise no sistema elétrico, o que deve impactar os preços tanto do gás como da energia. Segundo projeções da Gás Energy, o Custo Marginal de Operação (CMO), que mede o custo da energia com base em projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), vai aumentar dos atuais R$ 88 por megawatt no Sudeste para R$ 200.

Ainda tomando como base projeções do ONS que apontam a necessidade de utilização das térmicas a gás em 2007, Tavares disse que no ano que vem as usinas do Sudeste poderão ser obrigadas a despachar energia que vai consumir diariamente 22 milhões de metros cúbicos de gás, diante dos 4 milhões consumidos neste ano.

Segundo o consultor, se fosse utilizado apenas o critério de custo da energia, quatro termelétricas já teriam de estar operando no Brasil para poupar água dos reservatórios. " O problema é que esse gás não existe " , alertou Tavares. " Alguém vai ter que pagar a conta do diesel para consumo das termelétricas ou sofrer com cortes para o setor industrial. A outra alternativa é que falte energia. E a situação é pior no Nordeste " , disse.

Para minimizar o déficit anunciado, o presidente da Abegás sugeriu que a Petrobras reduza seu consumo para que ele possa ser destinado aos clientes das distribuidoras. A Petrobras projeta consumo próprio de 21,8 milhões de metros cúbicos em 2011, quando já estarão prontos dois terminais de GNL (no Rio e no Ceará) com capacidade de regaseificar 20 milhões de metros cúbicos/dia.

Romero Silva acha que já deveria estar em análise a construção de mais um terminal de GNL no Nordeste, além do que está previsto. A proposta da Abegás é para que a Petrobras utilize óleo diesel em suas térmicas, o que segundo cálculos de Silva traria uma sobra de 14 milhões de metros cúbicos para os consumidores das distribuidoras. " Se a Petrobras mudar sua projeção de consumo, não vai faltar gás " , avalia Silva.

(Cláudia Schüffner | Valor Econômico)