! BC ainda aposta na recuperação da atividade econômica em 2006 - 28/09/2006 - Valor Online
UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA


Últimas Notícias


28/09/2006 - 10h47
BC ainda aposta na recuperação da atividade econômica em 2006

BRASÍLIA - Embora tenha reduzido a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 4% para 3,5% em 2006, o Banco Central (BC) mantém seu otimismo sobre uma possível recuperação da dinâmica da atividade neste segundo semestre, apontando, entre outras coisas, "efeito estatístico positivo" para o terceiro trimestre.

O Relatório de Inflação de setembro enumera alguns fatores para a aposta na aceleração do ritmo da economia: recuo da inflação, crescimento do emprego, aumento da renda real, expansão do crédito, queda do risco-país, efeitos da queda do juro sobre o custo do capital, além de "aumento das intenções de investimentos".

O BC cita ainda que devem contribuir "as normalizações do fluxo de comércio exterior e da produção siderúrgica, após a interrupção de parte da produção ao longo do primeiro semestre".

A redução para o PIB de 2006 decorreu, principalmente, de menor estimativa para o desempenho da indústria, que agora deve crescer 4% e não mais os 5,4% esperados antes, e também para a agropecuária, que caiu de 3,6% para 3%.

O setor de serviços teve o crescimento reduzido de 3% para 2,8%. Houve ajuste para cima, porém, nos impostos sobre produtos, que devem contribuir com 5,1% na formação do PIB em relação aos 4,4% da previsão anterior.

A projeção para a evolução dos investimentos caiu de 8,3% para 7,1% no ano, em função da alta de apenas 2,9% no segundo trimestre, acumulando 5,9% em todo o primeiro semestre, segundo o BC. O consumo das famílias deve subir 4,2% em 2006.

A autoridade monetária atribuiu o baixo crescimento do PIB no segundo trimestre frente ao primeiro à "base de comparação relativamente elevada" em igual período de 2005, quando a variação foi de 1,4% sobre o primeiro trimestre daquele ano. Também aponta como causas a ocorrência de " eventos isolados " , como greves na indústria de petróleo e na Receita Federal, que levou ao recuo das operações de comércio exterior.

Mesmo assim, a instituição destaca que a economia registrou expansão de 1,7% ao longo de quatro trimestres até junho e de 2,2% no primeiro semestre de 2006.

Segundo o BC, para o terceiro trimestre, " deve-se esperar um efeito estatístico inverso " ao que ocorreu no segundo, já que em igual período de 2005 o PIB recuou 1,2%. Com isso, a base de comparação será mais baixa.

A demanda interna deve ser o motor do crescimento neste ano, com expansão de 4,1%. Apesar do desempenho do comércio exterior acima do previsto, a contribuição do setor externo para o PIB caiu de 0,5% para menos 0,8%, por causa do decréscimo das exportações e da importações em razão de uma greve da Receita Federal.

De acordo com o BC, a variação das exportações em relação a 2005 deve ficar em 5,8%, ante uma alta de 7,8% prevista antes. As importações devem subir 14,1%, contra 14,3% da estimativa anterior.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)