27/02/2007 - 19h45
Risco Brasil sobe 10,4%, para 201 pontos; Global 40 e A-Bond recuam

SÃO PAULO - O risco Brasil mostrou forte deterioração nesta terça-feira, refletindo a repercussão negativa dos investidores à forte queda no mercado acionário chinês. Às 19h40, o EMBI+ Brasil, calculado pelo Banco JP Morgan Chase, aumentava 10,4%, para 201 pontos. Se fechar neste patamar, o risco-país irá igualar-se ao resultado apurado no encerramento do dia 21 de dezembro de 2006. Antes disso, o maior nível alcançado pelo indicador tinha sido os 203 pontos, no dia 18 de dezembro do ano passado. Ontem, o risco-país fechou aos 182 pontos.
Nesta terça-feira, rumores sobre novas medidas do governo da China para limitar os investimentos especulativos no país e boatos sobre a saída do titular da comissão que regula o mercado de ações chinês, combinados com um forte movimento de realização de lucros, derrubaram os principais índices acionários naquele mercado. O Shanghai Composite Index cedeu 8,8%, a 2.771,79 pontos, a maior queda em dez anos.
Conforme explicou o gerente de renda fixa do Banco Prosper, Diego Beleza, as perdas na China levam investidores a reduzirem suas posições em outros mercados emergentes - como é o caso do Brasil - para amenizar os prejuízos. Isso acaba afetando o desempenho do risco Brasil. Além disso, os rumores de novas ações para controlar investimentos naquele país geram temores de desaceleração daquela economia, o que respingaria no quadro global, acrescentou, notando que isso também elevaria a aversão a risco.
No mercado secundário de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 era transacionado a 133,313% do seu valor de face, com queda de 0,60%. O segundo papel mais representativo do índice do JP Morgan, o Global 18 ou A-Bond (Amortizing Bond ou Bônus de Amortização), marcava 111,625% do seu valor de face, com declínio de 0,56%.
Sobre o EMBI+ Brasil
O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios pagos por esses títulos em relação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo.
O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa dizer que a cada 100 pontos expressos pelo risco-Brasil, os títulos do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos EUA.
Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação dos investidores é de que quanto maior a pontuação do indicador de risco, mais perigoso fica aplicar no país. Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado " deve oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo risco.
(Valor Online, com agências internacionais)