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19/03/2007 - 15h41

Endividamento atinge 62% dos consumidores paulistanos

SÃO PAULO - O número de consumidores paulistanos endividados chegou a 62% em março, segundo apurou a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio). Esse percentual representa um aumento no número de endividados em relação ao mês passado, quando foi registrada a marca de 61%. Já na comparação com março de 2006, houve queda de dois pontos percentuais.

" Se não tivermos um crescimento significativo de renda e emprego, esta situação contribuirá para o aumento da inadimplência e inibirá a contratação de novos empréstimos - o que a longo prazo poderá afetar o comércio " , comentou Abram Szajman, presidente da Fecomercio. Na opinião dele, o aumento no total de endividados é fruto da aquisição de novos empréstimos - contraídos para quitar as dívidas do início do ano, como IPTU, IPVA, material escolar, entre outras.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (PEIC) também mostrou que para os consumidores com rendimentos entre 3 a 10 salários mínimos, o grau de endividamento é maior, com 67% dos entrevistados nessa situação. Em fevereiro, 65% desse grupo estavam endividados.

O número de consumidores inadimplentes na região, segundo a Fecomercio, chegou a 41% em março; um ponto percentual acima do registrado no mês passado e um ponto percentual abaixo do registrado em março do ano passado. Já a pesquisa de comprometimento de renda, que indica o percentual de rendimentos empenhados do consumidor com o pagamento de dívidas, ficou estável neste mês, em 33%. Esse percentual, na análise da Fecomercio, é considerado é muito elevado.

Os consumidores que declararam a intenção de pagar, total ou parcialmente, suas dívidas em atraso atingiu 66%, em março, um ponto percentual mais do que no mês anterior. Dos entrevistados que ganham entre 3 e 10 salários mínimos, 73% declararam essa intenção, assim como 94% dos consumidores com rendimentos superiores a este patamar. Entre os que recebem até 3 mínimos, o percentual é de 48%.

As dívidas com previsão de pagamento de três meses a um ano representam 43% do total, contra 46% no período anterior. Para 34% dos entrevistados, o endividamento está previsto para um período superior a um ano, e para 22%, a dívida vence em até três meses.

Dos consumidores entrevistados com renda de até três salários mínimos, 65% afirmam possuir dívidas voluntárias e 59% afirmam ser inadimplentes. Para os entrevistados com renda superior a 10 salários mínimos, os que declaram possuir dívidas voluntárias chegam a 55% e 25% estão inadimplentes.

Na avaliação da divisão da renda, os que ganham até três salários mínimos apresentam cerca 35% de seu orçamento comprometido com dívidas. Entre os entrevistados com renda acima de 10 salários mínimos, este percentual é de 30%. Na faixa intermediária entre três e 10 salários, 33% do orçamento está comprometido com dívidas.

A proporção de consumidores endividados com menos de 35 anos é de 64%, sendo que 59% dos entrevistados com idade acima deste patamar está nessa situação. Na avaliação entre homens e mulheres, a pesquisa detectou que em ambos os gêneros, 62% os entrevistados encontra-se endividado.

A conclusão da Fecomercio, a partir desses dados, é que quanto menor o nível de renda, maior é o de endividamento e mais provável é o atraso do pagamento, por conta do comprometimento da renda com gastos de primeira necessidade.

(Adilson Fuzo | Valor Online)

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