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16/07/2007 - 13h34

Intel e fundação OLPC fazem as pazes e fecham parceria para criar laptops para crianças pobres

SÃO PAULO - A Intel anunciou um acordo com a fundação One Laptop Per Child (OLPC - um laptop por criança) para colaborar em projetos de tecnologia e educacionais para países em desenvolvimento. Com o acordo, a Intel também se torna parte da junta diretiva da OLPC. Isso abre um novo capítulo na disputa entre a empresa e a organização pela distribuição de computadores de baixo custo a crianças pobres e pode inclusive colocar um fim a essa briga.

O objetivo principal da OLPC, fundada pelo professor Nicholas Negroponte, do Massachusetts Institute of Technolgy (o cultuado MIT), é desenvolver um laptop resistente, fácil de se usar e que possa ser vendido a US$ 100 a unidade. Em contrapartida, a Intel tem o Classmate, sua versão do produto idealizado por Negroponte, com preço de pouco menos de US$ 200.

Se de um lado a motivação é filantrópica, do lado da Intel, maior fabricante de chips do mundo, ela é comercial, dado o enorme tamanho em escala desse mercado. Ainda assim, apesar de absurdamente pequena ao lado da Intel, a OLPC conta com apoio, mesmo que modesto, de outras gigantes do setor de tecnologia, como o Google, a Nortel e o eBay.

Até agora, a disputa entre as duas estava longe de ser amigável. Negroponte repetidas vezes criticou a Intel por suas táticas agressivas de negócio. Outro ponto de discordância era a diferença de abordagem com relação ao papel da tecnologia na educação em países pobres.

No passado, o professor Negroponte chegou a acusar a agora nova parceira de tentar acabar com a OLPC apenas porque esta usaria em seus laptops chips da AMD, a arqui-rival da Intel - e parceira da fundação. "Eles (a Intel) olham para esses lugares como se fosse mais um mercado", afirmou. E foi mais longe: "Mas o ensino fundamental no mundo em desenvolvimento não é um mercado, é um direito humano. E eu não acho que a Intel seja uma empresa voltada para os direitos humanos".

Agora, o discurso muda de tom: "A Intel se une à junta diretiva da OLPC como a líder mundial em tecnologia, ajudando a alcançar as crianças de todo o mundo. A colaboração com a Intel significa que o maior número possível de notebooks chegará às crianças", disse Negroponte no anúncio da parceria.

Nenhuma das duas explicou exatamente como será a cooperação, mas ela deverá envolver aportes financeiros e de tecnologia para desenvolver os laptops para crianças pobres. Uma das possibilidades é que a Intel venda seu Classmate para uso em áreas urbanas, já que precisa estar ligado a uma tomada para funcionar. Já os laptops XO, da OLPC, seriam usados em áreas rurais, já que utilizam pouca energia e podem ser recarregados por uma manivela.

Apesar da parceria, tanto a Intel quanto a fundação de Negroponte devem continuar vendendo seus produtos normalmente. O Classmate já conta com uma boa carteira de negócios, tendo sido vendido para países como Brasil, México, Paquistão e Nigéria. Já o XO deve chegar a países pobres, incluindo o próprio Brasil, a Líbia e a Tailândia ainda neste ano.

A princípio, os computadores da OLPC devem continuar sendo equipados com processadores da AMD, mas o interesse da Intel é claro: tirar a rival da jogada. Afinal, é esse negócio, a venda de chips, a principal atividade da Intel - e não a venda de computadores para países pobres.

Mesmo assim, com as diferenças deixadas de lado, a Intel agora poderá explorar melhor esse mercado de notebooks de baixo custo. Dessa forma, tentará fazer frente ao lento crescimento no segmento de PCs e a conseqüente redução no ritmo de vendas de processadores.

No caso da OLPC, a parceria mostra que, apesar de toda a filosofia, a fundação também sabe jogar de acordo com as regras de mercado. Tudo para, fins justificando meios como ensina o Príncipe, atingir sua meta de permitir, até 2015, que 50% da população mundial tenha acesso a computadores e à internet.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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