BRASÍLIA - A falta de qualificação profissional faz com que mais da metade da oferta de empregos deixe de ser preenchida. É o que aponta pesquisa preliminar do Ministério do Trabalho, com dados colhidos junto ao Sistema Nacional de Emprego (Sine). Apesar de 1,772 milhão de novas vagas abertas em 2006, foram efetivadas 878,39 mil.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, quer usar esses dados para tentar alterar o quadro e ampliar as colocações no mercado de trabalho, a partir de 2008. "Não é minha tarefa montar uma estrutura monstruosa para a qualificação, aqui no Ministério do Trabalho", disse Lupi. "O que estamos tentando fazer é um mapeamento da situação para usar as estruturas já existentes."
Segundo o ministro, além de ampliar para R$ 958 milhões o volume de recursos para cursos de qualificação no ano que vem, ante o orçamento de R$ 110 milhões de 2007 no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), serão necessários modernizar, descentralizar e direcionar o sistema.
Uma das idéias de Lupi é fazer parcerias com as entidades do Sistema S (Senai, Sebrae, Sesc, Senai) para a oferta de cursos a quem está desempregado. Ele fez críticas ao modelo atual, afirmando que o Sistema S, além de beneficiar quem já está empregado, "cobra muito caro" pelos cursos ofertados, numa faixa entre R$ 100 e R$ 700, "valores impossíveis para quem está desempregado", afirmou.
A pesquisa encomendada por Lupi apontou que o setor de Serviços, por exemplo, tem um elevado índice de rejeição aos candidatos a emprego pela falta de qualificação. Apenas 33% de aproveitamento foi registrado no ano passado.
O ministro também destacou que apesar dos dados serem parciais, dá para saber que há grande exigência de profissionais qualificados no estado de São Paulo. Dos 567,4 mil pedidos de empresas ao Sine em 2006, apenas 176,03 mil vagas foram preenchidas. " Foram mais de 390 mil empregos perdidos por falta de capacitação " , comentou ele.
Lupi disse que, após o levantamento, quer cruzar dados com Estados, municípios, universidades e organizações não-governamentais "responsáveis", de forma a poder aplicar recursos em cursos específicos, de acordo com a necessidade de cada local.
Outra proposta do ministro é vincular o pagamento do seguro-desemprego a cursos profissionalizantes, mas, para isso, será necessária uma mudança na legislação.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)
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