11/05/2007 - 17h22
Estudantes que ocupam prédio da USP não aceitam contrapropostas da reitora
Da redação Em São Paulo
Os estudantes que ocupam o prédio da Reitoria da USP (Universidade de São Paulo) desde o dia 3/5 não aceitaram as contrapropostas às suas reinvindicações feita pela reitora da universidade, Suely Vilela.
Veja abaixo a íntegra do comunicado dos alunos:
Nós, estudantes que ocupamos a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) desde o dia 03/05 (quinta-feira), consideramos a contraproposta da Reitora Suely Vilela insuficiente.
Em relação à moradia estudantil, a Reitora diz que "não tem recursos para a moradia pedida" e oferece à negociação 334 vagas de moradia estudantil, sendo 198 vagas no campus Butantã, 68 vagas no campus São Carlos e 68 vagas no campus Ribeirão Preto. Além disso, disponibiliza imediatamente 500.000 reais para a reforma dos prédios já existentes.
Segundo a Reitora, "existe dentro do orçamento da USP verba para casos emergenciais ou extremos e este é um caso extremo". Logo, "estaria utilizando todo esse dinheiro de reserva para a construção dessas moradias e das reformas dos prédios existentes".
Exigimos que, segundo nossas reais necessidades, sejam construídas 600 vagas no campus Butantã, 171 vagas no campus de São Carlos e mais vagas nos outros campi do interior. Consideramos que a contraproposta da Reitora não atende às nossas necessidades de moradia e aceitá-la seria adiar mais uma vez a resolução de um problema histórico, consistindo numa irresponsabilidade do movimento estudantil.
Em relação à infra-estrutura dos prédios da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), da FOFITO (Faculdade de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional) e do IME (Instituto de Matemática e Estatística) a Reitora declara que apenas repassa dinheiro e "não decide como ele é gasto nas faculdades ou institutos da USP".
Não existe nenhuma perspectiva que assegure o início imediato das obras de construção na FFLCH e reforma dos prédios da FFLCH e do IME, cuja atual situação é calamitosa. Ainda sobre a FOFITO, os estudantes da unidade informaram na assembléia geral dos estudantes da USP (08/05) que, de fato, a única reforma planejada se dará no prédio da administração e atendimentos e não no bloco didático, onde ocorrem as aulas. Este prédio é provisório e inapropriado, não comportando as aulas práticas e estágios, além de não poder ser reformado, pois sua estrutura está comprometida.
Em sua proposta, a reunião apresentada apenas distancia solução de nossos problemas que são emergenciais. Logo, exigimos que a Reitoria transcreva um ofício relatando a necessidade da construção de um prédio para o curso de Letras e de um prédio para a FOFITO, além de reformas no prédio do IME e no prédio da Geografia e História. Tal declaração por parte da Reitora teria a finalidade de pressionar os diretores das faculdades e do instituto citados a fim de que atendam e realizem nossas reivindicações imediatamente.
Sobre um posicionamento por parte da Reitora quanto aos Decretos do Governador José Serra, é apresentada como proposta às nossas exigências que um posicionamento será tomado em audiência pública após uma reunião do CO (Conselho Universitário) a ser convocada pela Reitora após a desocupação.
Apesar de a Reitora dizer que "se compromete com o combinado, não querendo ser mais um reitor que prometeu e não cumpriu", consideramos que não existe nenhuma segurança de que tal posicionamento será tomado. Exigimos, portanto, um imediato posicionamento aos decretos do Serra, uma vez que os consideramos um verdadeiro ataque à autonomia universitária. Entendemos, ainda, que consultar a universidade não é apenas consultar os membros do CO, mas abrir um diálogo com toda a comunidade universitária. E para isso um Conselho Universitário aberto se faz necessário.
Em relação à contratação de professores e funcionários, a Reitora propõe que aceitemos o sistema de contratação já existente na USP. Neste sistema, o número de professores a serem contratados anualmente é divulgado até 30 de maio de cada ano. Sabemos que o número de professores que a universidade contrata é insuficiente. Não houve manifestação quanto à efetivação dos professores e funcionários contratados em regime precário e/ou terceirizados (parte integrante das reivindicações).
Há também a discussão iniciada com o Vice-Reitor da USP Franco M. Lajolo sobre a criação de um grupo de estudos para a contratação de professores. Na proposta da Reitoria essa comissão seria formada por estudantes e representantes da reitoria. Entendemos que se trata de uma proposta insuficiente, pois esse grupo não garante a contratação de professores, além disso, ela deveria ser formada por estudantes, funcionários e professores e também teria como objetivo a contratação de funcionários.
Estranhamente, tal proposta não consta na última carta enviada pela Reitora. Ficamos a indagar se foi retirada por parte da Reitora ou se há desentendimento entre o Vice-Reitor e a Reitora. Portanto, conforme nossas reivindicações, nossa necessidade imediata de professores e funcionários está longe de ser atendida.
Exigimos, também, que a Reitora se posicione quanto às nossas outras reivindicações como as de nº13 e nº14 que dizem respeito às medidas repressivas na universidade - autonomia dos espaços estudantis; liberdade de manifestação política e cultural; retirada da polícia do interior do campus e posicionamento público da reitoria contra a condenação do dois estudantes da FAU-USP -, uma vez que complementam nossa pauta.
A Reitora condiciona o cumprimento dos compromissos assumidos à imediata desocupação da Reitoria. Os estudantes consideram que a desocupação está condicionada, por sua vez, à continuidade das negociações, à conclusão de um possível acordo e ao avanço em direção por um ensino público, justo, gratuito e de qualidade para todos.
Comissão de Comunicação - Ocupação USP
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