22/05/2007 - 13h49
PM vai usar força "na medida da resistência dos alunos", diz coronel
Da redação Em São Paulo*
|
Moacyr Lopes Jr./Folha Imagem
Cadeiras e móveis barram a entrada de alunos na Física
|
"Estamos tentando fazer o máximo de diálogo com os alunos e com os invasores para que se tenha uma saída pacífica por parte deles", afirmou o coronel Joviano Conceição Lima, comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar, referindo-se à invasão e ocupação da Reitoria da USP (Universidade de São Paulo), iniciada em 3 de maio.
Mas, explicou o coronel, a polícia pode "usar a força na medida da energia necessária e da força física necessária, de acordo com a resistência dos alunos".
Centenas de alunos ocupam o prédio da Reitoria da USP para reivindicar uma série de medidas que, na visão deles, impediria a perda da autonomia e do "sucateamento" da universidade pública. Na tarde desta terça (22), ocorre uma reunião entre a Reitoria, estudantes e funcionários. A PM não teria representantes no encontro.
"Tem uma liminar concedida pelo juiz da 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo em que a USP, por meio de sua Reitoria, fez o pedido para que se concedesse a liminar para reintegração de posse de um prédio da Reitoria que está sendo sediado por alunos invasores e, agora, por funcionários da universidade", disse o coronel.
De acordo com Joviano, a liminar, expedida em 16 de maio a pedido da Reitoria, concedeu a reintegração de posse "de pronto, utilizando-se inclusive de força policial, se necessário". A reintegração está sob a responsabilidade do Comando de Policiamento de Choque, do qual o coronel é comandante. "Se necessário for, nós usaremos efetivos de outras áreas para dar apoio".
Opine: como a PM deve agir para desocupar a Reitoria? Professor chama alunos de 'nazifacinoesquerdistas' Professora de direito diz que decretos são inconstitucionais Estudantes e funcionários defendem o movimento Piquete de alunos da USP causa tumulto no Instituto de Física Estudantes fazem vigília na USP à espera da chegada da PM
Joviano disse que o prazo para a reintegração de posse depende agora do planejamento da força pública de São Paulo. "Estamos planejando para efetivamente, a qualquer instante, fazermos a reintegração da posse. Em primeiro momento, de forma pacífica".
Sem acordo A assessoria de imprensa da universidade informou que as contra-propostas referentes às reivindicações dos estudantes já estão fechadas.
Na reunião de segunda-feira, que contou com a participação de cerca de 30 estudantes, da reitora Suely Vilela e do senador Eduardo Suplicy, a reitora havia dado o prazo de 0h desta terça-feira para que os alunos desocupassem o prédio, o que não foi feito. Veja documento sobre a reunião.
Assembléias O movimento emitiu uma nota no blog da ocupação nesta terça-feira em que reafirma a decisão de permanência no prédio após plenária realizada na noite de segunda (21), com a presença de cerca de 800 estudantes.
Segundo a nota, "a proposta reiterada pela Reitora na reunião continua sendo insuficiente" e "haverá uma assembléia geral dos estudantes, hoje às 18h, em frente ao prédio da Reitoria."
O comunicado cita também que o professor Dalmo Dallari, da Faculdade de Direito da USP, garantiu que não há previsão de ação policial nesta terça-feira.
Também está na pauta dos estudantes na manhã desta terça uma reunião com a presidente do Condeph (Conselho Estadual da Defesa da Pessoa Humana), Rose Nogueira, e um ato no prédio da Letras da USP, em que os participantes vestirão preto em sinal de luto frente os decretos do governo Serra.
Ainda nesta terça, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo) realizou uma assembléia dos funcionários da USP, em greve desde a última quarta-feira (16), em frente o prédio da Reitoria.
Já os professores da USP podem entrar em greve a partir desta quarta-feira (23), segundo informações do presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), professor Cesar Minto.
Com informações da Agência Brasil
Atualizada às 17h15
|