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23/05/2007 - 13h06
Professores da USP decretam greve por tempo indeterminado

Da redação
Em São Paulo*


OS PERSONAGENS DA CRISE
Moacyr Lopes Jr./Folha Imagem
Com parte de sua pauta de reivindicações em comum com os estudantes, professores decidem entrar em greve nesta quarta (23), após assembléia da categoria
Danilo Verpa/Folha Imagem
Um grupo de estudantes entrou na Reitoria em 3 de maio - e não saiu mais. Eles passam dia e noite (foto) no local e vêm ignorando sucessivos acordos para sair
Danilo Verpa/Folha Imagem
O coronel Joviano Lima é o comandante da PM que deve agir na reintegração. Tem procurado uma saída negociada e sem violência, mas fala em prisão dos invasores
Danilo Verpa/Folha Imagem
A reitora Suely Vilela pediu a reintegração de posse da Reitoria, mas aceitou negociar e cedeu a reivindicações dos alunos. Desde esta terça (22), porém, não negocia mais
Rodrigo Paiva/Folha Imagem
Decretos do governador José Serra (PSDB), entre eles o que criou a secretaria de Ensino Superior, são apontados como ameaças à autonomia universitária
OS CINCO DECRETOS POLÊMICOS
PM PROMETE FORÇA NECESSÁRIA
AS CONTRAPROPOSTAS DE SUELY
ALUNOS LEVAM MÃES À INVASÃO
TODAS AS FOTOS DA CRISE
Professores da USP (Universidade de São Paulo) decidiram, após assembléia realizada nesta quarta-feira (23) no prédio da faculdade de Geografia, iniciar uma greve imediatamente. Com isso, agrava-se a crise na USP, que desde o último dia 3 tem o prédio da Reitoria invadido e ocupado por um grupo de alunos.

A Adusp (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) ainda não tem o balanço com o número de unidades paralisadas já nesta quarta, nem tem a quantidade de docentes que aderiram ou devem aderir ao movimento. Segundo o anuário de 2006, a USP tem 5.222 professores.

O movimento nas universidades públicas promete ampliar-se. Os docentes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) decidiram na tarde desta quarta (23) também entrar em greve.

Segundo a assessoria de imprensa da universidade, 15% das aulas não foram dadas nesta quarta e, das 20 unidades (10 faculdades e 10 institutos), oito aderiram à paralisação. As atividades estão paralisadas no IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), IEL (Instituto de Estudos da Linguagem), IA (Instituto de Artes), FE (Faculdade de Educação) e FEF (Faculdade de Educação Física). Parcialmente paradas, estão o IE (Instituto de Economia), IG (Instituto de Geociências) e IMECC (Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica).

A Unicamp tem 34 mil alunos (graduação e pós-graduação), 1.700 professores e 7.500 funcionários.

Na Unesp, os professores decidiram por um indicativo de greve -- ou seja, o movimento pode se concretizar, mas somente após a reunião entre o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e o Fórum das Seis (entidade que reúne os sindicatos de professores e funcionários das três universidades estaduais paulistas), que está marcada para esta quinta, às 15h. Já os funcionários estão em greve somente no campus de Bauru: os demais campi também aguardam o encontro.

Defesa da autonomia
A greve, segundo os representantes dos professores, tem como mote a defesa da autonomia das universidades, que teria sido ameaçada com os decretos do governo Serra (que criaram, por exemplo, a Secretaria de Ensino Superior), pela retirada do PLC 30 (Projeto de Lei Complementar, de autoria do ex-governador Geraldo Alckmin), que fala sobre o regime de previdência dos servidores públicos, e pelas reivindicações salariais, que não estão sendo discutidas, segundo os docentes, devido à interferência do Executivo, que não divulgou os dados da arrecadação de abril de 2007.

Durante a assembléia dos professores, estudantes que participam da ocupação da Reitoria pediram doações para manter a ação. De acordo com os próprios alunos, foram arrecadados R$ 850 junto aos docentes.

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    À tarde, os professores estão participando de um ato público no Masp (Museu de Arte de São Paulo), que conta com a participação de servidores públicos e outros movimentos sociais organizados, em defesa dos direitos sociais, do emprego e da liberdade de organização e manifestação desses movimentos.

    Pauta dos estudantes
    O ato no Masp também está na pauta desta quarta-feira dos estudantes que ocupam o prédio da reitoria da USP há 20 dias. Os universitários invadiram a Reitoria no dia 3 de maio por não terem conseguido se reunir com a reitora da USP, Suely Vilela. Eles também querem que a USP se posicione publicamente contra os decretos do governo que ameaçariam a autonomia universitária. Pedem ainda construção de mais moradias, contratação de professores e reformas das unidades.

    Os estudantes foram contatados na manhã desta quarta-feira pelo UOL Educação e informaram que o clima no prédio da Reitoria era bom.

    Em assembléia realizada na noite de terça (22), da qual participaram cerca de 2.000 estudantes, segundo o movimento, os alunos decidiram permanecer na Reitoria.

    A decisão foi tomada após uma reunião de emergência com a reitora, que apresentou três novas propostas aos estudantes: oferecimento de café e almoço aos domingos no restaurante universitário; ampliação do horário de funcionamento dos ônibus circulares da universidade e reestudo do prazo para jubilamento de alunos.

    Na reunião, a reitoria se dispôs ainda a criar uma comissão "formada por 16 membros (sendo oito professores e oito alunos e/ou funcionários), que deverá analisar e apresentar propostas sobre os demais itens da pauta de reivindicações apresentadas pelos estudantes".

    A assessoria de imprensa da universidade confirmou na manhã desta quarta-feira que estão encerradas as negociações com os alunos.

    Ação da PM
    Na noite de terça, a reitora também esteve reunida com o comandante do Policiamento de Choque da PM, coronel Joviano Conceição de Lima. Após o encontro, o coronel voltou a afirmar que a PM espera uma desocupação pacífica por parte dos alunos. No entanto, disse que a tropa de choque está preparada para agir caso isso não aconteça.

    A ação de reintegração de posse deve ocorrer na quinta-feira (24), e, segundo o comandante, os que resistirem à ordem judicial serão presos por desacato à autoridade.

    Antes de agir, a PM deve marcar uma nova reunião com os estudantes para tentar negociar uma saída pacífica. O comandante disse, em entrevista à Agência Brasil, que a reunião servirá para esclarecer os estudantes das conseqüencias do descumprimento da ordem judicial de desocupação.

    Segundo o coronel Joviano Lima, a PM convidará representantes da USP, do Ministério Público estadual, da Assembléia Legislativa, de entidades defensoras de direitos humanos e a imprensa.

    "Se mesmo assim eles não saírem, seria a constatação pública e notória, a imprensa vai testemunhar isso, e nós vamos dar publicidade à população, que foram esgotadas todas as possibilidades. E aí ficará a critério das autoridades envolvidas no processo de desocupação para marcar o dia e o horário", afirmou na entrevista.

    Nesta quarta-feira (23), o jurista Dalmo Dallari deverá conversar com os alunos sobre as conseqüências e possibilidades legais de manter a ocupação.

    O coronel Lima afirmou que o aluno que resistir à ordem judicial será preso por desobediência. "E quem praticar agressão contra os policiais será autuado por lesão corporal." Ele não descarta a hipótese de fazer autuações por formação de quadrilha.

    Com informações da Agência Brasil

    Atualizada às 17h16




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