23/05/2007 - 17h29
Professores da USP e da Unicamp decidem entrar em greve; Unesp pode aderir nesta quinta
Da redação Em São Paulo*
Professores da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) decidiram entrar em greve nesta quarta-feira (23). Na Unesp (Universidade Estadual Paulista), a paralisação pode eclodir na quinta.
Na USP, a decisão pela greve foi tomada após assembléia realizada no prédio da faculdade de Geografia. A Adusp (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) ainda não tem o balanço com o número de unidades que pararam já nesta quarta, nem a quantidade de docentes que aderiram ou devem aderir ao movimento.
Segundo o anuário de 2006, a USP tem 5.222 professores. A decisão pela greve acirra uma crise inciada no último dia 3, quando estudantes invadiram e ocuparam o prédio da Reitoria.
Na Unicamp, uma assembléia com cerca de 90 professores decidiu pela greve. Até as 22h do primeiro dia de paralisação, a Adunicamp (sindicato dos professores) ainda não tinha um balanço do movimento e da adesão. A Unicamp tem 34 mil alunos (graduação e pós-graduação), 1.700 professores e 7.500 funcionários.
Na Unesp, os professores decidiram por um indicativo de greve -- ou seja, o movimento pode desembocar numa greve, mas somente após a reunião entre o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e o Fórum das Seis (entidade que reúne os sindicatos de professores e funcionários das três universidades estaduais paulistas), que está marcada para esta quinta (24), às 15h.
Nesta quarta (23), os servidores da estadual do interior fizeram uma paralisação de protesto. A assessoria de imprensa da Unesp divulgou que, dos 23 campi, houve paralisações em apenas cinco. Em Assis, 70% dos servidores pararam, com adesão da maior parte dos professores. Em Bauru, a paralisação foi parcial, tanto de professores e servidores -- na Faculdade de Engenharia, a adesão dos servidores é de 40% e por tempo indeterminado. Em Franca, as aulas quase não foram afetadas, e houve paralisação parcial de servidores (entre 50 a 60%). Em Marília, docentes e funcionários não trabalharam. Em São José do Rio Preto, foram os alunos que não assistiram às aulas.
As razões dos professores A greve na USP, segundo os representantes dos professores, tem como mote a defesa da autonomia das universidades, que teria sido ameaçada com os decretos do governo Serra (que criaram, por exemplo, a Secretaria de Ensino Superior); a retirada do PLC 30 (Projeto de Lei Complementar, de autoria do ex-governador Geraldo Alckmin), que fala sobre o regime de previdência dos servidores públicos; e as reivindicações salariais, que não estão sendo discutidas (segundo os docentes) devido à interferência do Executivo, que não divulgou os dados da arrecadação de abril de 2007.
| A GREVE DE CADA UMA |
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| USP | Parou a partir desta 4ª (23). Reivindicações vão de reajuste a autonomia universitária |
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| Unicamp | Greve foi decidida na 4ª, mas já atingia oito unidades. Faz nova assembléia dia 29 |
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| Unesp | Docentes aprovaram "indicativo de greve", Decisão deve sair nesta quinta-feira (24) |
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De acordo com os estudantes que estão na Reitoria (que dizem ter arrecadado R$ 850 junto aos docentes durante a assembléia da manhã desta quarta), a greve dos professores também é contra uma possível intervenção da Polícia Militar na ocupação. O governo de São Paulo diz que a PM quer evitar violência na eventual ação policial para retomar o prédio da Reitoria, o que já foi determinado por uma decisão judicial.
Em vídeo: falam os ocupantes, os professores e Serra 
Os estudantes, no entanto, avisaram mais uma vez que não vão participar de uma reunião "técnica" com a PM para discutir a reintegração de posse. O encontro foi proposto pelo chefe do policiamento de Choque, coronel Joviano Lima, e aconteceria nesta quinta. No início da noite de quarta, advogados que apóiam o Sintusp (sindicato dos funcionários) entraram com uma ação na Justiça pedindo a suspensão da reintegração de posse da Reitoria. O pedido deve ser julgado ainda nesta quinta.
Outros níveis Após terem realizado uma assembléia na manhã desta quarta (23), no vão livre do Masp, em São Paulo, os professores da rede estadual de São Paulo -- dos ensinos fundamental e médio -- decidiram não entrar em greve, mas manter a mobilização da categoria, que volta a se reunir em 15 de junho.
Estavam no ato, segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), cerca de 4.000 docentes. Eles contaram com o apoio de professores e estudantes das universidades paulistas (Unicamp, Unesp e USP). Durante parte do ato, na Assembléia Legislativa de São Paulo, no Ibirapuera, houve tumulto com a polícia.
Atualizada no dia 25/5, às 19h12
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