24/05/2007 - 10h18
Justiça nega pedido de adiamento da reintegração feito pelo Sintusp
Da redação Em São Paulo*
O juiz Edson Ferreira da Silva, da 13ª Vara da Fazenda do Estado, negou na manhã desta quinta-feira (24) o pedido de adiamento da reintegração de posse do prédio da reitoria da USP, ocupado desde 3 de maio. O pedido foi feito em nome do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), na última quarta (23), pelo advogado Idibal Almeida Pivetta. A informação é da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Estado.
A ação pedia a revogação da liminar por dez dias, contados a partir da data do despacho do juiz. O magistrado decidiu não atender ao pedido diante da "ilicitude da ocupação de dependências administrativas da universidade por estudantes, como forma de pressão para atendimento de suas reivindicações" e ainda não reconhece o sindicato como parte legítima da ação.
| A CRISE NA USP |
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 | Estudantes Ocupam a reitoria para criticar Serra e reivindicar moradias |
|  | Docentes Entraram em greve. Pelo menos uma parte apóia a ocupação |
|  | Funcionários Estão em greve; seu sindicato apóia a ocupação |
|  | Reitora Suely Vilela tentou negociar, mas depois endureceu |
|  | Polícia Coronel iniciou com diálogo, mas já fala em uso da força |
|  | Governo Serra nega que decretos mexam na autonomia universitária |
| | 3/5: Estudantes tentam falar com a reitora da USP. Não são atendidos, e decidem invadir e ocupar a reitoria |
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| 4 a 7/5: Reivindicações são divulgadas: cerca de 700 novas moradias estudantis, reforma de prédios, contratação de professores e repúdio a decretos do governo estadual que, supostamente, ferem a autonomia universitária |
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| 8 a 10/5: A reitora Suely Vilela apresenta contrapropostas e pede a saída dos alunos |
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| 11/05: Estudantes rejeitam proposta da reitora e se revezam na ocupação. No Dia das Mães, fazem uma feijoada |
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| 14/05: Nota dos reitores da USP, Unicamp e Unesp diz que decretos preservam autonomia |
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| 15/05: Reitoria dá um prazo para que os alunos deixem o prédio: 16h. Não é atendida |
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| 16/05: USP pede, e Justiça concede reintegração de posse da reitoria. Alunos se negam a sair e erguem barricadas para barrar a PM. Anunciada a contratação de 1.900 professores. Funcionários decidem fazer greve |
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| 17/05: Secretário de Serra diz a reitores que autonomia está preservada |
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| 18 e 21/05: PM convida estudantes, funcionários e reitora para reunião sobre a reintegração. Alunos faltam |
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| 22/05: PM diz que usará de força se alunos resistirem. Reitora faz mais propostas, que são rejeitadas outra vez |
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| 23/05: Professores da USP decretam greve. Na pauta, além de questões trabalhistas, está a manutenção da autonomia universitária. Sintusp tenta barrar reintegração na Justiça |
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| 24/05: Justiça decide manter a reintegração. Clima na ocupação e entre os funcionários passa a ser de espera da PM |
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| VEJA FOTOS DA CRISE | GIANOTTI: AMEAÇA INTERNA | OLIVEIRA: EM DEFESA DA USP | FOLHA: CEDER NA USP | IMAGENS DA REITORIA |
O diretor do sindicato, Magno de Carvalho, foi contatado e confirmou a decisão, que chamou de "absurda". Segundo o coordenador jurídico do sindicato, Alceu Carreira, "o juiz está limitando o debate democrático da questão".
O Tribunal de Justiça também informou que o juiz atendeu a um pedido da USP contra o Sintusp e concedeu liminar que proíbe atos ou protestos que causem transtornos e perturbações no campus. A ação prevê multa de R$ 1.000 por dia para cada unidade ocupada, e é válida para funcionários e alunos.
A assessoria de imprensa da USP afirma que buscou a ajuda da Justiça para que os piquetes não impeçam aqueles que não participam da greve de entrar nos prédios.
Expectativa Carvalho, diretor do Sintusp, disse que funcionários e alunos -- e agora professores que se juntaram ao movimento -- estão na expectativa pela chegada da PM ao local.
"Vamos viver um dia decisivo aqui na universidade. Estamos concentrados em frente à reitoria e aqui ficaremos o dia todo. Eles [os policiais] podem chegar a qualquer momento e nós vamos resistir pacificamente", afirmou, por telefone.
No início da tarde desta quinta, os manifestantes deram um abraço simbólico em torno do prédio da reitoria, que simboliza, segundo eles, o objetivo pacífico do movimento.
Com a decisão judicial, a PM está autorizada a cumprir a ordem de reintegração do prédio, que foi expedida em 16/5, a qualquer momento. Entretanto, a assessoria de imprensa da PM não confirma se a ação está programada para esta quinta-feira (24).
A reportagem tentou contato com o coronel Joviano Conceição Lima, comandante do Policiamento de Choque da PM, mas ele não foi localizado para confirmar o horário da ação e se fará uma reunião com os alunos.
Ocupação continua Os estudantes, que apoiaram a ação do sindicato, desmentiram na manhã desta quinta que objetos estão sendo retirados do prédio da reitoria, sinalizando o desfecho da ocupação.
"Alguns alunos que passaram a noite aqui podem ter tirado alguns colchões e objetos assim que o dia clareou, mas isso vem sendo uma rotina aqui na ocupação. De forma alguma isso significa que estamos desistindo do movimento. A ocupação vai continuar", explicou o estudante de letras Eduardo, membro da comissão de comunicação do movimento.
Segundo os estudantes, o clima é de ansiedade para a chegada da PM no campus, mas não há confirmação de que a reintegração de posse seja realizada nesta quinta. "Não temos informação precisa de que a PM esteja vindo para cá ou de quando virá, mas se vier, estamos aguardando e iremos recebê-la pacificamente", disse Eduardo.
Membros da ocupação chegaram a afirmar na quarta (23) que irão resistir com rosas de papel crepom a uma possível intervenção da polícia.
Atualizada às 14h40
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