24/05/2007 - 22h35
Estudantes e secretário de Justiça devem ter nova reunião; ocupação continua
Da redação Em São Paulo*
O secretário da Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, fez um apelo aos estudantes para que deixem a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) pacificamente. Um grupo deles ocupa o local desde o dia 3. O pedido foi feito numa reunião na noite desta quinta, mas o impasse prossegue até pelo menos segunda-feira (28), quando deve ocorrer uma nova reunião entre as partes.
Representantes dos ocupantes da reitoria afirmaram que a ida deles ao novo encontro seria decidida numa assembléia, a qual poderia ocorrer ao longo da madrugada desta sexta.
Segundo a assessoria de Marrey, o secretário disse aos estudantes que a reintegração de posse da reitoria -- concedida no dia 16 e reafirmada pela Justiça nesta quinta, pela manhã -- é uma ordem judicial, e que por isso tem de ser cumprida. Não está descartada a desocupação pela força, mas a assessoria frisou que, para o governo, a melhor saída é que a desocupação seja pacífica.
Dessa forma, o governo parece ter garantido aos estudantes que eles podem ficar pelo menos mais quatro dias na reitoria sem que sejam desalojados pela Polícia Militar.
Marrey também teria se disposto a discutir, ponto a ponto, os decretos do governo Serra que supostamente ameaçam a autonomia universitária e que estão por trás da polêmica, mas os estudantes não quiseram fazê-lo nesta reunião.
| A CRISE NA USP |
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 | Estudantes Ocupam a reitoria para criticar Serra e reivindicar moradias |
|  | Docentes Entraram em greve. Pelo menos uma parte apóia a ocupação |
|  | Funcionários Estão em greve; seu sindicato apóia a ocupação |
|  | Reitora Suely Vilela tentou negociar, mas depois endureceu |
|  | Polícia Coronel iniciou com diálogo, mas já fala em uso da força |
|  | Governo Serra nega que decretos mexam na autonomia universitária |
| | 3/5: Estudantes tentam falar com a reitora da USP. Não são atendidos, e decidem invadir e ocupar a reitoria |
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| 4 a 7/5: Reivindicações são divulgadas: cerca de 700 novas moradias estudantis, reforma de prédios, contratação de professores e repúdio a decretos do governo estadual que, supostamente, ferem a autonomia universitária |
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| 8 a 10/5: A reitora Suely Vilela apresenta contrapropostas e pede a saída dos alunos |
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| 11/05: Estudantes rejeitam proposta da reitora e se revezam na ocupação. No Dia das Mães, fazem uma feijoada |
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| 14/05: Nota dos reitores da USP, Unicamp e Unesp diz que decretos preservam autonomia |
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| 15/05: Reitoria dá um prazo para que os alunos deixem o prédio: 16h. Não é atendida |
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| 16/05: USP pede, e Justiça concede reintegração de posse da reitoria. Alunos se negam a sair e erguem barricadas para barrar a PM. Anunciada a contratação de 1.900 professores. Funcionários decidem fazer greve |
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| 17/05: Secretário de Serra diz a reitores que autonomia está preservada |
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| 18 e 21/05: PM convida estudantes, funcionários e reitora para reunião sobre a reintegração. Alunos faltam |
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| 22/05: PM diz que usará de força se alunos resistirem. Reitora faz mais propostas, que são rejeitadas outra vez |
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| 23/05: Professores da USP decretam greve. Na pauta, além de questões trabalhistas, está a manutenção da autonomia universitária. Sintusp tenta barrar reintegração na Justiça |
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| 24/05: Justiça decide manter a reintegração. Clima na ocupação e entre os funcionários passa a ser de espera da PM. À noite, reunião com secretário de Serra decide por novo encontro na segunda (29). Assim, ocupação ganha ao menos mais três dias |
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| VEJA FOTOS DA CRISE | GIANOTTI: AMEAÇA INTERNA | OLIVEIRA: EM DEFESA DA USP | FOLHA: CEDER NA USP | IMAGENS DA REITORIA |
Também participaram da reunião o secretário-geral do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Ariel de Castro Alves, e representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Legislativo, além de funcionários e professores da USP.
Para Alves, que defende a participação da reitora Suely Vilela na discussão de segunda, "foi aberto um novo canal, e na próxima reunião serão novamente discutidos os decretos do governador estadual e as demais reivindicações do estudantes". Ele observou, no entanto, que o secretário Marrey "não se comprometeu com nenhum ponto".
A reunião desta quinta ocorreu na sede da Secretaria de Justiça do Estado, no centro da capital, e durou mais de duas horas.
Mais cedo, Alves explicou qual era o objetivo da reunião entre Marrey e os estudantes: "Estamos tentando de tudo para que o desfecho dessa história seja pacífico, pois consideramos lamentável que possa ocorrer intervenção policial dentro do campus". Para ele, "a reitoria da USP não tem poder para atender todas as reivindicações dos estudantes. Será preciso negociar direto com o governo do Estado".
Polícia se cala A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o órgão, bem como a PM, não vão mais se pronunciar a respeito da reintegração -- o cumprimento da ordem judicial deve ser feito pelo Choque da PM.
O oficial que comanda este setor, coronel Joviano da Conceição Lima, havia anunciado esta quinta (24) como limite para que a ação fosse cumprida. Isso não aconteceu e, com a marcação de uma nova reunião que terá o próprio governo como participante (na pessoa do secretário de Justiça), pode não acontecer até a segunda (28).
Na reitoria ocupada, estudantes e funcionários já distribuem e lêem, há alguns dias, uma cartilha que ensina a se defender da ação da PM. Segundo a Secretaria de Segurança, por uma decisão do governo, apenas o secretário do Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti, falará a respeito do caso. Por sua vez, esta secretaria diz que o problema deve ser resolvido pela própria USP -- justamente devido à autonomia universitária.
Negado Na manhã desta quinta, o juiz Edson Ferreira da Silva, da 13ª Vara da Fazenda do Estado, negou o pedido de adiamento da reintegração de posse do prédio, feito em nome do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) pelo advogado Idibal Almeida Pivetta na quarta.
A ação pedia a suspensão da liminar por dez dias, contados a partir da data do despacho do juiz. O magistrado decidiu não atender ao pedido diante da "ilicitude da ocupação de dependências administrativas da universidade por estudantes, como forma de pressão para atendimento de suas reivindicações", e também não reconheceu o sindicato como parte legítima da ação.
O diretor do sindicato, Magno de Carvalho, chamou a decisão de "absurda". Segundo o coordenador jurídico do sindicato, Alceu Carreira, "o juiz está limitando o debate democrático da questão".
O Tribunal de Justiça também informou que o juiz atendeu a um pedido da USP contra o Sintusp e concedeu liminar que proíbe atos ou protestos que causem transtornos e perturbações no campus. A ação prevê multa de R$ 1.000 por dia para cada unidade ocupada, e é válida para funcionários e alunos. O Sintusp é famoso por utilizar caminhões de som dentro da USP.
A assessoria de imprensa da USP afirmou que buscou a Justiça para evitar que piquetes impeçam aqueles que não participam da greve dos funcionários e professores de entrar nos prédios.
No início da tarde da quinta, manifestantes deram um abraço simbólico em torno da reitoria -- o qual simbolizou, segundo eles, os propósitos pacíficos do movimento.
Atualizada às 23h34
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