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28/05/2007 - 23h19
Estudantes mantêm ocupação na reitoria; novas reuniões devem acontecer

Da redação, com agências
Em São Paulo*


Os estudantes que ocupam a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) desde o último dia 3 decidiram permanecer no local, mesmo após a reunião na tarde desta segunda-feira (28) que, pela primeira vez, colocou na mesma sala os alunos, a reitora da universidade, Suely Vilela, e um representante do governo estadual, o secretário Luiz Antônio Marrey, de Justiça.

De acordo com a comissão de comunicação dos ocupantes da reitoria, novas conversas deverão ser agendadas separadamente com a reitora e com Marrey.

OS PERSONAGENS
Crédito
Estudantes: ocupam a reitoria protestando contra decretos de Serra e por moradia
Folha Imagem
Professores: entraram em greve; a parte política de sua pauta é a mesma dos alunos
Folha Imagem
Reitora: tentou endurecer com os alunos, que a consideram a única interlocutora na crise
Folha Imagem
Governo de SP: por meio do secretário de Justiça, defende os decretos e busca negociar
Folha Imagem
Funcionários: estão em greve e têm apoiado as ações dos estudantes na reitoria
AFP
Polícia Militar: é sua a tarefa de desocupar a reitoria, mas seu comando evita comentar
O fato de Suely dispor-se a conversar diretamente com os estudantes é novidade após o endurecimento da USP contra eles, quando a reitoria pediu a reintegração de posse do prédio da reitoria, que foi obtida, e conseguiu proibir o sindicato dos trabalhadores da USP de fazer piquetes no campus.

Logo após a reunião da tarde, Marrey falou à imprensa e colocou a desocupação imediata da reitoria como condição necessária para o prosseguimento das negociações. "O governo do Estado entende que um ato de força, como é a ocupação da reitoria da USP, não colabora para o diálogo", afirmou. "Acho que esse diálogo não prosperará enquanto a reitoria não for desocupada", completou Marrey.

O secretário também defendeu que os decretos do governo estadual que estão por trás da polêmica, por supostamente ameaçarem a autonomia universitária, são legais. Para Marrey, quem quiser contestá-los deve procurar a Justiça.

Apesar de o impasse ter continuado, Marrey afirmou que a reunião desta segunda foi de "bom nível".

Análise dos decretos
De acordo com Rose Nogueira, presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), que participou do encontro, os estudantes exibiram uma avaliação sobre os decretos. Também levaram um artigo do professor de direito Dalmo Dallari para embasar a argumentação sobre a suposta inconstitucionalidade dos textos.

"O secretário Marrey comprometeu-se a analisar as propostas de modificação dos decretos, mas frisou que não haverá sua revogação. O que pode acontecer é um aperfeiçoamento", explicou Rose.

Reitora presente
A participação da reitora Suely Vilela -- algo que não ocorreu no primeiro encontro de Marrey com os estudantes, na semana passada -- foi saudada pela comissão de comunicação dos ocupantes como "mais um canal" de negociação.

A reitora afirmou aos jornalistas que está disposta a negociar com os estudantes sobre as reivindicações "internas". "O diálogo continua, obviamente, mas o avanço das reivindicações depende exatamente da desocupação da reitoria para que se possa fazer isso dentro de um ambiente sem pressão", disse, fazendo coro à exigência de Marrey para que os estudantes deixem a reitoria.

Quanto à reintegração de posse da reitoria, concedida no dia 16 pela Justiça e reafirmada na sexta (25) mesmo após um segundo pedido de adiamento, há diferentes percepções.

CRONOLOGIA
3/5: Estudantes tentam falar com a reitora da USP. Não são atendidos, e decidem invadir e ocupar a reitoria
4 a 7/5: Reivindicações são divulgadas: cerca de 700 novas moradias estudantis, reforma de prédios, contratação de professores e repúdio a decretos do governo estadual que, supostamente, ferem a autonomia universitária
8 a 10/5: A reitora Suely Vilela apresenta contrapropostas e pede a saída dos alunos
11/05: Estudantes rejeitam proposta da reitora e se revezam na ocupação. No Dia das Mães, fazem uma feijoada
14/05: Nota dos reitores da USP, Unicamp e Unesp diz que decretos preservam autonomia
15/05: Reitoria dá um prazo para que os alunos deixem o prédio: 16h. Não é atendida
16/05: USP pede, e Justiça concede reintegração de posse da reitoria. Alunos se negam a sair e erguem barricadas para barrar a PM. Anunciada a contratação de 1.900 professores. Funcionários decidem fazer greve
17/05: Secretário de Serra diz a reitores que autonomia está preservada
18 e 21/05: PM convida estudantes, funcionários e reitora para reunião sobre a reintegração. Alunos faltam
22/05: PM diz que usará de força se alunos resistirem. Reitora faz mais propostas, que são rejeitadas outra vez
23/05: Professores da USP decretam greve. Na pauta, além de questões trabalhistas, está a manutenção da autonomia universitária. Sintusp tenta barrar reintegração na Justiça
24/05: Justiça decide manter a reintegração. Clima na ocupação e entre os funcionários passa a ser de espera da PM. À noite, reunião com secretário de Serra decide por novo encontro na segunda (29). Assim, ocupação ganha ao menos mais três dias
25/05: Nova tentativa do Sintusp de adiar a reintegração cai na Justiça. Ocupantes decidem ir à reunião de segunda (28). Professores mantêm a greve.
26 e 27/05: Prossegue a ocupação. Senador Suplicy visita o local, bem como familiares dos ocupantes.
28/05: Após reunião com secretário de Serra e a reitora da USP, estudantes decidem manter ocupação. Novas reuniões ficam pré-agendadas.
MAIS DE 90 FOTOS
ALUNOS: VÁRIOS PERFIS
ALOJAMENTO PRECÁRIO
A OCUPAÇÃO DEVE CONTINUAR?
Tanto o governo, por meio de Marrey, como a USP, por parte de Suely, vêm dizendo que trata-se do cumprimento de uma decisão judicial, o qual cabe à Polícia Militar -- que não tem falado sobre o assunto há alguns dias, repetindo apenas que a ordem de reintegração pode ser cumprida a qualquer momento.

O governo vem sinalizando, no entanto (especialmente ao debater o tema diretamente com os estudantes por meio de Marrey), que quer um desfecho sem violência para a crise na USP.

É o que pensa Rose Nogueira, do Condepe: "Pessoalmente, acho que, enquanto estiver ocorrendo a negociação, a ação da polícia está descartada. Todos querem um fim pacífico para a crise", disse, analisando o clima após a reunião desta segunda.

Protesto na 5ª
Os estudantes informaram na manhã desta terça (29) que pretendem fazer um protesto no Palácio dos Bandeirantes na quinta (31). Eles devem partir da USP por volta das 12h45 e caminhar até o bairro do Morumbi, onde fica a sede do governo estadual. Não está confirmado um encontro com o governador, embora os estudantes tenham dito que desmonstraram na última reunião com o secretário de Justiça o desejo de uma reunião com Serra.

O movimento de ocupação da USP está com um blog novo no ar. O anterior deixou de funcionar na semana passada, por motivos ainda desconhecidos. Os estudantes desconfiam de sabotagem, segundo a comissão de comunicação.

Unesp solidária
Representantes de ao menos cem alunos que desde sexta (25) ocupam as salas de um dos blocos do Instituto de Geociências do campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Rio Claro, interior de São Paulo, entregaram nesta segunda um documento com 17 pedidos à reitoria da universidade, informou a Agência Estado.

Os principais itens da pauta de reivindicações são solidários à causa defendida pelos estudantes da USP: a revogação dos decretos de Serra e o fim da Secretaria de Ensino Superior.

Além disso, os estudantes querem que, no campus de Rio Claro, haja a retirada de catracas e de câmeras, e o fim da exigência de carteirinha para acessá-lo.

Atualizada às 13h do dia 29/05



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