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28/09/2007 - 10h05
Alunos com maior renda ocupam maioria das vagas nas universidades públicas

Mariana Tramontina
Da redação


As carteiras das universidades públicas brasileiras são pouco freqüentadas por estudantes que pertencem às famílias mais pobres. Aqueles quem têm rendimento mensal de até meio salário mínimo ocupam apenas 1,8% das vagas nessas instituições. Em contrapartida, as pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos por mês são 54,3% dos estudantes dessas universidades.

Os dados estão na Síntese dos Indicadores Sociais 2007, divulgada nesta sexta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa mostra que o Brasil ainda é um país com grande desigualdade entre ricos e pobres. A área de educação reflete bem a disparidade.

A queda de 29,1% na taxa de analfabetismo entre 1996 e 2006 não foi suficiente para tirar o Brasil do incômodo penúltimo lugar no ranking de alfabetização na América do Sul.

o percentual de brasileiros que não sabem ler e escrever é inferior apenas ao da Bolívia, onde a taxa de analfabetismo foi de 11,7% em 2005.

Em relação a todos os países latino-americanos e caribenhos, o Brasil também vai mal no quesito: tem o 9º pior índice do grupo.
PENÚLTIMO LUGAR
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DESIGUALDADE RACIAL
POUCOS NO ENSINO MÉDIO
A segregação social fica mais clara no ensino superior. Enquanto os mais pobres (renda de até meio salário minimo) são 18,3% dos alunos no ensino médio da rede pública, a proporção cai a um décimo na universidade: apenas 1,8% dos universitários em instituições públicas estão na faixa mais baixa de renda.

Com os mais ricos, o fenômeno se inverte. Entre os alunos de ensino médio em escolas públicas, apenas 9,7% ganham mais de cinco salários mínimos. Na universidade da mesma rede, essa proporção cresce mais de cinco vezes, e eles são 54,3% dos estudantes.

No Nordeste, a diferença nas faculdades públicas é clara. Os alunos com a menor renda mensal per capita representam 0,6%, enquanto aqueles que fazem parte das famílias mais ricas totalizam 68,5%.

O Centro-Oeste é a região onde há números mais balanceados -- estão matriculados 2,6% da faixa mais pobre e 47,8% da faixa mais rica.

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