20/10/2007 - 21h00
Estudantes comentam desempenhos na olimpíada de matemática
Ludmilla Balduino Em São Paulo
É igual às provas da escola. Enquanto uns consideram fácil, outros acham as questões difíceis de serem respondidas. A segunda fase da 3ª Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), realizada neste sábado (20), dividiu opiniões a respeito da dificuldade da prova.
O gabarito está previsto para ser divulgado no dia 15 de novembro , no site da Obmep.
O experiente Arthur Borges Monteiro de Toledo, 12, que já foi segundo lugar em uma olimpíada da escola, achou a prova fácil. "Não foi muito difícil, deu para enganar", diz. O estudante da 6ª série da Escola Estadual Visconde de Congonhas do Campo, no Tatuapé, está seguro de que conseguirá uma boa colocação.
O aluno não tem motivos para se sentir acuado durante as provas. Ele já participou de um programa de auditório -- foi selecionado para representar a escola em um quadro de perguntas de conhecimentos gerais. Concentrado e calmo, ajudou sua equipe a terminar a competição em segundo lugar.
Arthur também conquistou medalha de prata em uma olimpíada de matemática promovida pela cidade de São Paulo, em 2005. Ano passado, participou da Obmep, mas foi desclassificado na segunda fase. "Este ano, eu espero chegar até a final".
O estudante Flávio Alves da Silva, 12, considerou esta prova diferente das que costuma responder na escola. "Estava bem difícil. Havia perguntas que precisavam que gente usasse bastante a cabeça", diz.
Por não ter ficado nervoso, o estudante conseguiu responder à todas as questões, até mesmo a que considerou a mais difícil. Dos seis problemas matemáticos, o quinto perguntava quantas torres poderiam ser montadas com um número de peças de tamanhos variados. "Fiquei um bom tempo para responder, mas consegui solucionar".
Essa foi a primeira vez que Flávio participou da segunda fase da Obmep. Em 2006, o estudante da Escola Estadual Maria da Glória foi desclassificado na primeira etapa do concurso.
Mesmo descrente do resultado, o aluno diz que ficará, ao menos, entre os primeiros de sua escola. "Somente cinco colegas meus fizeram a prova! Só que ficarei com nota menor do que a de Eder", diz, referindo-se ao colega de classe.
Eder Limachi Fernandes, 11, também achou a prova bem difícil. Apesar de ter conseguindo entregar todas as questões respondidas, ele não gostou de ter de justificar as respostas. "Além de fazer o cálculo, a gente ainda tinha de escrever, justificar a questão. Foi nessa parte que me enrolei todo".
Na prova, a questão de número dois pedia para encontrar palavras em meio a uma combinação de números, que deveria ser desvendada pelos alunos. "Demoreri a entender a pergunta dessa questão", diz Eder.
Como funciona a Obmep A olimpíada conta com duas fases, realizada em todo o Brasil. A primeira ocorre dentro das escolas públicas e seleciona os melhores de cada uma. Participam da segunda etapa 5% dos estudantes mais bem colocados na primeira fase, de cada nível de ensino, em cada escola.
A competição abrange três níveis de ensino: o primeiro é voltado aos alunos matriculados na 5ª ou 6ª séries do ensino fundamental; o segundo corresponde aos estudantes de 7ª e 8ª séries do fundamental; e o terceiro é destinado aos matriculados no ensino médio.
O exame deste sábado começou às 14h30 e os alunos tiveram até três horas para responder seis questões discursivas. Foi preciso exibir os cálculos e explicar o raciocínio usado na resolução de cada item.
O padrão de respostas oficial deve ser divulgado no início de novembro e o resultado, em 10 de dezembro. Segundo a assessoria da Obmep, as provas serão corrigidas pelos coordenadores regionais do concurso, todos com grande conhecimento da matéria.
Premiação aos melhores A competição premiará 300 alunos com medalhas de ouro, 600 com medalhas de prata e 2.100 com bronze. Além disso, serão distribuídos 30 mil certificados de menção honrosa. Os três mil melhores classificados receberão do programa de Iniciação Científica Júnior do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) uma bolsa de R$ 100 cada, durante um ano.
Os professores serão classificados de acordo com o rendimento de seus alunos. Os 127 melhores participarão de cursos de aperfeiçoamento no Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), no Rio de Janeiro.
As escolas que tiverem os alunos mais bem colocados em cada Estado receberão um notebook com datashow, livros para a composição de uma biblioteca básica em matemática, laboratórios de informática e certificados de mérito nacional. Para os municípios serão concedidos troféus aos 50 que obtiverem maior pontuação.
Prova disputada A prova existe em 80 países. No Brasil, é feita em escolas particulares desde a década de 1970, mas só foi criada nas escolas públicas há três anos. Neste terceiro ano de olimpíada, 17.340.895 alunos se inscreveram em todo país, em 38.453 escolas.
O número de candidatos em 2007 alcançou, em alguns Estados, quase a totalidade das escolas públicas: 93% no Mato Grosso do Sul, 81% em Minas Gerais e 86% no Distrito Federal. São Paulo obteve o maior número de inscrições: 3.558.208 alunos.
Na edição anterior, em 2006, inscreveram-se na competição 14 milhões de estudantes de 32.655 escolas de todos os Estados do país. A edição teve quatro milhões de alunos a mais do que a primeira, realizada em 2005.
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