
Da Redação
Em São Paulo
Não é de hoje que obter crédito para a pequena empresa é difícil no Brasil. E, num panorama de altas taxas de juros, essa situação não deve mudar tão cedo.
Assim, resta ao pequeno empresário tentar fazer o possível, com as "armas" que tem em mãos, para obter aquele financiamento necessário para criar ou capitalizar seu negócio e para aumentar suas chances de sobrevivência e de crescimento.
Atualmente, segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), as microempresas e as empresas de pequeno porte são 267.525 no Brasil, o que equivale a 56,32% do total. Elas respondem por cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e geram por volta de 60% dos empregos no país.
No entanto, de acordo com o Sebrae, esses empreendimentos recebem apenas 10% do total de créditos concedidos pelos bancos públicos e privados. Os principais motivos são o excesso de garantias pedidas pelos bancos aos empresários e a burocracia.
Empréstimo ou não?
O primeiro passo que o empresário precisa dar é certificar-se de que o negócio realmente precisa de um empréstimo. "O pequeno empresário tem de ter uma série de cuidados antes de pleitear o crédito", diz Ricardo Vidueto, coordenador de Crédito e Capitalização do Sebrae-SP.
Segundo ele, o empréstimo deve ser encarado como mais uma ferramenta à disposição do empresário, e não como a solução de todos os problemas do negócio. Muitas vezes, pedir dinheiro emprestado para cobrir outro empréstimo, em um ambiente de juros altos, pode ser o início da ruína financeira do pequeno empresário.
Antes de buscar dinheiro novo, o empresário precisa descobrir se está gerenciando bem seu negócio, profissionalizar a gestão financeira da empresa - separando o seu próprio "bolso" do da empresa, para obter taxas de juros menores para a pessoa jurídica - e avaliar suas margens de lucro para saber se vai poder pagar o compromisso assumido.
Garantias
Uma vez definido o tipo de linha de crédito de que a empresa necessita (e se realmente necessita), o Sebrae ajuda o empreendedor a fazer o projeto de viabilidade econômico-financeira da empresa. Esse projeto, no qual o empresário "olha" para o futuro e tenta traçar perspectivas de crescimento para seu negócio, é exigido pelas instituições financeiras, como garantia de que o tomador do empréstimo vai ter condições de cumprir com o compromisso.
As instituições financeiras também exigem um aval para liberar o dinheiro. Essa garantia geralmente varia entre 100% e 200% do valor do empréstimo. O Sebrae dá até 50% do aval exigido em alguns bancos autorizados (5) para liberar os financiamentos. É cobrada uma taxa, que varia entre 2% e 5% do valor do aval.
Garantido esse aval, o empresário pode escolher a linha de crédito mais conveniente para suas necessidades. Essa linha pode estar em bancos públicos ou privados, em entidades de microcrédito e em cooperativas de crédito.
O Sebrae-SP e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) têm, em parceria, um site de orientação de crédito, disponível gratuitamente.
Nele, existe um simulador de crédito em que é possível estudar as diversas linhas existentes no mercado e escolher a mais apropriada para cada tipo de negócio, além de saber qual é a documentação necessária para conseguir financiamento.
Outras opções são as entidades de microcrédito (6), que têm o objetivo de fornecer capital para que pessoas pobres possam abrir, manter ou ampliar um negócio próprio (criando o chamado auto-emprego), e as cooperativas de crédito (7), que unem empresários para facilitar e baratear o acesso ao dinheiro, funcionando praticamente como bancos. O governo federal prometeu anunciar nas próximas semanas um pacote de medidas para estimular essas modalidades de crédito e injetar R$ 700 milhões na economia.
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