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27/04/2008 - 09h10

Cotas para inclusão de negros já é realidade em algumas empresas

Juliana Doretto
Em São Paulo
Em busca de um quadro de funcionários mais inclusivo, algumas empresas firmaram um acordo com o Sindicato dos Comerciários de São Paulo e se comprometeram para preencher ao menos 20% de seus postos de trabalho com profissionais negros. Algumas aderem a programas de inclusão e de capacitação de profissionais negros.

As empresas que assinaram o acordo afirmam que conseguem cumprir a meta. A Unisys do Brasil não informa o número de colaboradores, mas diz que 38,7% deles são negros e pardos. A Textil Abril afirma que o número de negros supera os 20%. A principal loja da rede tem cerca de 300 funcionários.

"Fomos a primeira a assinar, em dezembro de 2003. Mas já era uma realidade para a empresa. Sempre estivemos acima da cota, com mais de 30%. E o negro não tem nenhum benefício no processo seletivo. É algo natural", diz Patrícia Amaro, gerente de marketing da Camisaria Colombo. A empresa tem hoje cerca de 1.500 funcionários.

Taxas de desemprego maiores
No Brasil, o desemprego dos negros supera o dos brancos e amarelos em todas as regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A diferença é maior em Porto Alegre (RS): a taxa de desemprego dos negros (18,5%) é 46% superior à dos não-negros (12,7%). A menor desigualdade ocorre em Recife (PE), onde o índice dos negros (21,7%) é 18% superior à dos não-negros (18,4%).

A preocupação em incluir essa parcela da população no mercado de trabalho não é novidade no exterior. Segundo o documento da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil, "Ação afirmativa para a igualdade racial", Estados Unidos, Canadá e África do Sul estimulam projetos de inclusão, no setor público e privado, com metas e cronogramas.

Sem negros
Mas essa realidade não é a mesma da maioria das organizações. Entre as 150 Melhores para Trabalhar, ranking elaborado pela revista Você S/A em parceria com a FIA (Fundação Instituto de Administração), apenas 6% dos funcionários se dizem negros. Responderam à pesquisa 445.782 colaboradores: 22.592 se declararam de raça negra.
Entre os diretores, só 0,3% são negros. Com os gerentes, o índice é de 0,7%. Nos supervisores, chega a 1,7%. O número maior está com os terceirizados, categoria que pode responder por serviços mais básicos: 14,6% são negros.

Na Câmara, está em andamento um projeto de lei que quer obrigar as empresas com 20 ou mais empregados a ter 20% do quadro reservado a negros ou pardos.

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