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13/05/2008 - 16h17

Negras ganham 51% do salário das brancas na cidade de São Paulo

Da Redação
Em São Paulo
  • Trabalhadoras negras de SP recebem pouco mais da metade do salário de funcionárias brancas. Comente


  • De 2000 a 2007, o salário médio das não-negras na cidade de São Paulo somou R$ 1.288. As negras receberam 51% desse valor: R$ 660. Em 2000, o salário das negras era de R$ 731; em 2007, foi de R$ 664. Das não-negras, os valores são de R$ 1.407 e R$ 1.257, respectivamente.

    Os dados foram divulgados nesta terça-feira (13) pelo Observatório do Trabalho, centro de pesquisa da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo, em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

    Nesses sete anos, o salário achatou-se para todos os grupos na cidade de São Paulo. A queda foi menor para os homens e mulheres negros, mas o rendimento deles é pouco maior que a metade dos profissionais não-negros. O salário médio dos negros caiu de R$ 938 para R$ 806 (14,07%), enquanto o rendimento dos não-negros decaiu de R$ 1.932 a R$ 1.550 (19,77%). Em 2007, um homem branco ganhava R$ 1.798. Um negro recebia R$ 942.

    "Não conseguimos medir o quanto essa diferença salarial se dá pela discriminação racial e o quanto se dá pela diferença educacional entre brancos e negros", explica Juarez Mota, coordenador do Observatório.

    Sobre a redução dos rendimentos, o coordenador diz que é a queda tende a se estabilizar e que a diminuição foi menor entre os negros pelo perfil de vagas ocupadas por eles. A pesquisa também revela que houve uma queda no desemprego desde 2005, quando 15,7% da PEA estavam desempregada. Em 2007, o índice cai para 13,9%.

    "O emprego aumentou, mas com menos gente capacitada, com menor remuneração. Há vagas qualificadas, com salários maiores, que sobram no mercado por falta de formação. Mas elas nunca foram ocupadas por negros. Eles já estavam em cargos operacionais e já ganhavam menos", afirma o coordenador.

    Desemprego
    Em 2007, mulheres e homens negros representam 40,4% dos desempregados da cidade de São Paulo. Mas, em relação à (População Economicamente Ativa) do município, eles eram apenas 34,2%. Dos 801 mil desempregados nesse ano, os negros eram 324 mil -- 179 mil são mulheres negras e 145 mil são homens negros.

    Por outro lado, a participação dos negros no mercado de trabalho cresceu. Em 2000, eles representavam 28,6% dos empregados da PEA. Em 2007, são 33,2%. Os não-negros (brancos e amarelos) foram de 71,4% para 66,8%.

    "Esses números podem indicar que houve aumento efetivo da participação dos negros ou que as políticas de valorização e incentivo da raça negra estão fazendo com que mais pessoas se declarem negras. Ambos são resultados positivos, mas de origens diferentes", afirma Mota.
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