Pela primeira vez, mais de 50% da população que trabalha no país contribui para algum instituto de previdência. Os números são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados nesta quinta (18).
Em 2006, o percentual de trabalhadores que contribuíam era de 48,8%. Em 2007, passou para 50,7% -- 46,1 milhões de trabalhadores.
A proporção de pessoas trabalhando com carteira de trabalho assinada também é a maior desde os anos 90 (quando a Pnad passou a ser feita com a metodologia atual). Segundo o estudo, 32 milhões de pessoas -- ou 35,3% dos trabalhadores -- tinham registro na carteira em 2007. Em 2005, este percentual foi de 33,1% e, em 2006, aumentou para 33,8%.
"Há pessoas que contribuem para a previdência, mas que não são empregados. Trabalham por conta própria ou são empregadores. Mas o aumento da contribuição indica que o trabalho está atrelado a um registro. Com isso, as pessoas passam a ter acesso a crédito, o que movimenta a economia do país. A pessoa consegue, por exemplo, adquirir um bem em prestações", explica Cimar Azeredo, gerente da integração Pnad e PME (Pesquisa Mensal de Emprego), do IBGE.
Apesar do avanço, o número de empregados sem carteira ainda é grande: 20,6 milhões de pessoas (incluindo trabalhadores domésticos). Ou seja, 22,7% do total de pessoas ocupadas não têm registro. A queda em relação a 2006 foi de 0,7%.
"O resultado é comemorável, mas tanto o percentual de carteira assinada quanto o de contribuição previdenciária ainda são muito baixos. E os 50% restante? O rombo que se tem ainda é grande", afirma Azeredo.
Menos crianças trabalhandoO crescimento do número de pessoas que trabalham foi inferior ao aumento vegetativo da população em idade ativa (10 anos ou mais), mas essa proporção traz um dado positivo: reduziram-se os jovens menores de idade que trabalham.
A população ocupada acima de dez anos cresceu 1,6% de 2006 para 2007 -- de 89,3 milhões para 90,7 milhões. Já o aumento da população em idade ativa foi de 2%. Mas, enquanto o número de crianças e jovens de dez a 14 anos cresceu 0,8% no país, o contingente de trabalhadores nessa faixa etária diminuiu cerca de 7%. Na faixa de 15 a 17, a diminuição foi de 2,6%.
"De modo absoluto, o nível de ocupação aumentou nas camadas da população que deveria estar trabalhando", explica Azeredo.
Em relação a 2006, os profissionais mais velhos foram os que apresentaram maior crescimento no número de ocupados: o grupo de 40 a 49 anos de idade cresceu 3,8% e, entre os que têm de 50 a 59 anos, a elevação foi de 2,8%. Entretanto: na faixa de 20 a 24 anos, houve redução de 1,3%.
Mas a comemoração ainda é parcial. Segundo a Pnad, dos 44,7 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade, 4,8 milhões estavam trabalhando em 2007 -- 1,2 milhão de com menos de 14 anos, o que é proibido por lei. "Não existe um boom, a melhora não vai acontecer de uma hora para outra. Existe muito a se fazer, mas o que caminho é esse", diz o pesquisador do IBGE.
MulheresA taxa de desocupação (proporção de pessoas sem trabalho no total de pessoas economicamente ativas) foi de 8,2%. Em 2006, o número foi de 8,4%. Entretanto, para os homens (6,1%), a taxa é menor que do que para as mulheres (10,8%). Em 2006, os números eram de 6,4% e 11%, o que demonstra que permanece a dificuldade de a mulher se inserir no mercado de trabalho.
"A mulher, embora seja a maioria da população em idade ativa [82.309 contra 77.052], é maioria na população desocupada. Isso pode vir do fato de que, se a mulher não é a cabeça do domicílio, ela pode ficar mais tempo procurando um emprego melhor. Além disso,
embora tenha escolaridade superior, as empresas ainda têm restrição de que contratar a mulher, por ela já ter atividades em casa", diz o pesquisador do IBGE.