Edmar Moreira, então no DEM-MG, é eleito corregedor da Câmara. Diz não ter como julgar colegas por causa do "vício insanável da amizade". Descobre-se que tem um castelo no interior de Minas Gerais, na cidade de São João Nepomuceno, avaliado em mais de R$ 20 milhões e não declarado no seu nome. Ele diz ter passado a propriedade para o nome dos seus filhos.
Edmar Moreira contratou serviços de suas próprias empresas de segurança, Itatiaia e Ronda, com sua verba indenizatória de maio de 2007 a janeiro de 2009. A verba indenizatória, de R$ 15 mil por mês, deveria auxiliar o deputado em gastos ligados à função. Ele usava o dinheiro integralmente para contratação de suas empresas.
Assista a um vídeo realizado no mês que o escândalo surgiu, no dia 23.mar.2009, e veja como já estava claro que o deputado do castelo rumava para a absolvição, apesar dos indícios abundantes de que teria havido quebra de decoro:
O que aconteceu?
Edmar Moreira deixou o cargo de corregedor, hoje ocupado por ACM Neto (DEM-BA). Ficou quase um mês sem aparecer na Câmara (mas recebendo salário). O processo está empacado no Conselho de Ética, presidido por José Carlos Araújo (PR-BA). O relator do caso, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) adiantou que Edmar deveria ser absolvido, disse estar "se lixando" para a opinião pública (aqui) e que não há como provar a não prestação dos serviços.
Após as declarações do relator, alguns membros do conselho pediram a destituição de Moraes do cargo (aqui). Veja o que disse Moraes em plenário:
No dia 13 de maio, o relator foi retirado do cargo (aqui) mesmo após pedir desculpas pelas suas declarações (aqui).
Destituído, ele recorreu ao STF para voltar à relatoria. A ministra Camen Lúcia negou o seu pedido no dia 15 de maio (aqui). O novo relator é o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI).
No dia 7 de maio, o STF aceitou ação penal contra Edmar por sonegação de imposto (aqui). A suspeita é de que ele descontasse tributos de seus empregados na Ronda Empresa de Segurança e Vigilância sem repassar os valores à Receita, entre os meses de setembro e dezembro de 2005.
No dia 17 de junho, o relator (aqui) apresentou voto pela cassação do deputado Edmar Moreira no Conselho de Ética.
Nazareno negou a possibilidade de penas mais brandas, como a suspensão do mandato ou uma multa. "A única punição constitucionalmente prevista para parlamentar que proceder de modo incompatível com o decoro parlamentar é a perda do mandato," escreveu.
Após dar o seu voto, o relator foi chamado de "veado" pelo filho de Edmar Moreira. Abaixo, Nazareno conta a história:
No dia 1º de junho, o caso foi arquivado. (aqui). Dos 14 deputados do conselho, 9 votaram contra o relatório de Nazareno e inocentaram Edmar.