Para enviar e-mails para os personagens envolvidos, passe o mouse sobre o nome e clique para acessar o endereço eletronico de cada um.
O escândalo
O Estado de S. Paulo (
aqui) mostrou que o esquema do crédito consignado no Senado inclui entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do presidente da Casa, o senador
José Sarney (PMDB-AP).
De 2007 até hoje, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, empresa de José Adriano, recebeu autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos aos servidores com desconto na folha de pagamento. Ao Estado, o neto de Sarney disse que seu "carro-chefe" no Senado é o banco HSBC. Indagado sobre o faturamento anual da empresa, ele resistiu a dar a informação, mas depois, lacônico, afirmou: "Menos de R$ 5 milhões."
A intermediação de empréstimos consignados se transformou numa mina de dinheiro nos últimos anos. Trata-se de um nicho de negócio que, no Senado, virou propriedade de familiares dos donos do poder. A PF investiga suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o negócio.
Filho mais velho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA), José Adriano abriu a empresa quatro meses depois de o então diretor de Recursos Humanos da Casa, João Carlos Zoghbi, inaugurar a Contact Assessoria de Crédito, que ganhou pelo menos R$ 2,3 milhões intermediando empréstimos junto a grandes bancos.
No papel, a Sarcris funciona nas salas 516 e 517 do Edifício Serra Dourada, prédio de salas comerciais no Setor Comercial Sul de Brasília. É o endereço que consta dos registros oficiais da Receita. Os funcionários do prédio dizem que a Sarcris mudou dali
No novo endereço, um prédio no Setor de Rádio e TV Sul, não há nenhuma empresa com o nome Sarcris
Num edifício comercial na Asa Norte, na sala onde deveria funcionar outra empresa de José Adriano Sarney, a Choice Consultoria, funciona na verdade um escritório de advocacia.
O economista José Adriano Cordeiro Sarney disse ao Estado (
aqui) que o avô sabia que ele tinha uma empresa especializada em intermediar empréstimos consignados em Brasília. Ele nega, porém, que o avô tivesse conhecimento de sua atuação no Senado.
Em 25 de junho, Romeu Tuma, corregedor do Senado, descartou investigar Sarney por causa da empresa de empréstimo consignado do neto (
aqui). Tuma disse: "Até este momento não há nada que indique que ele cometeu algum crime. É preciso aguardar as investigações da Polícia Federal, do Ministério Público para saber se houve ilegalidades e se elas tiveram a participação de senadores"
Em carta aberta ao jornal, o neto de Sarney disse que entrou no mercado pelos "conhecimentos na área", pois teria especialização na Universidade de Sorbonne, na França, e pós-graduação na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (
aqui). Porém, segundo a jornalista Malu Gaspar (
aqui), José Adriano fez um curso de extensão, que é equivalente a um curso de graduação, e não uma pós, como havia dito. É um dos poucos cursos de Harvard em que não há processo seletivo.
Sarney encaminhou em 27 de junho à Polícia Federal um ofício solicitando investigação nas operações de crédito consignado na Casa. Pediu que todos os bancos e empresas intermediárias que atuam no Senado sejam alvo da investigação, inclusive a de seu neto José Adriano Cordeiro Sarney.
a respeito.
No dia 28 de junho, o PSDB fez uma representação no Conselho de Ética sobre o tema (
).
No dia 7 de agosto, o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), rejeitou esta e outras 6 denúncias contra Sarney. O senador alegou que elas não poderiam ser acatadas por serem baseadas em notícias de jornal.
No dia 11 de agosto, a oposição recorreu contra o arquivamento sumário desta e de outras 9 denúncias.
Em 19 de agosto, todas as acusações contra Sarney no Conselho de Ética foram arquivadas em definitivo (
).