Em uma pequena sala escondida entre os estandes da Feira do Livro de Brasília, uma dezena de pessoas acompanharam neste sábado uma ação da Controladoria-Geral da União que tenta estimular os cidadãos a controlarem as práticas políticas.
Por conta da divulgação falha - o evento não constava do caderno com a programação da Feira - os organizadores da oficina sobre Controle Social resolveram chamar o público nos corredores, pouco antes do início da apresentação.
Quem foi atraído pelo convite, assistiu, inicialmente, a um vídeo que já mostrava o objetivo principal do encontro: estimular a participação do cidadão nos conselhos de políticas públicas. "Os conselhos fazem a ponte entre a sociedade e os governos", explica o narrador, chamando os espectadores a "fiscalizar e decidir onde os recursos públicos serão aplicados".
Em seguida - e após algumas pessoas terem deixado a sala - o agente da CGU passou a responder a perguntas sobre o conteúdo do vídeo institucional. E todas elas estavam relacionadas aos conselhos públicos. As questões, em geral, eram sobre como entrar para um grupo, sobre quais temas eles tratavam, e se havia integrantes do setor público dentro do conselho.
As respostas foram suscintas. Para se aprofundar no tema, era melhor recorrer ao extenso material distribuído aos participantes: uma pasta contendo diversos livretos, alguns reproduzindo textos de convenções internacionais contra a corrupção e outros explicando o programa "Olho Vivo no dinheiro público", do qual eventos como a oficina deste sábado, em Brasília, fazem parte.
Segundo Fábio Félix, da CGU, para além deste tipo de evento esporádico, o programa está baseado em ações de educação continuada, realizada nos Estados. "É importante a figura do reeditor social, aquele que recebe a mensagem que nós passamos e retransmite para outras pessoas", afirma.
O servidor da controladoria diz que os eventos servem para formar uma rede de contatos que depois participará de cursos presenciais e à distância, sobre temas como cidadania e transparência.
Ao final da apresentação, alguns dos participantes pareciam ter ficado interessados em ter uma participação mais efetiva no controle das contas públicas. Claudia de Paula, professora de filosofia em uma escola pública de ensino médio, disse que precisava mesmo saber um pouco mais sobre o funcionamento dos conselhos, já que vai participar da eleição do que será formado em sua instituição de ensino.
"Eu não sabia que ia ter essa oficina aqui, mas quando fui chamada achei interessante. Eu vou ajudar a eleger os conselheiros da minha escola e preciso me aprofundar mais", contou, para admitir, em seguida, que o brasileiro tem a tendência de deixar a fiscalização pública "muito nas mãos dos outros". O resultado desta posição cômoda, para ela, pode ser visto tanto na apresentação esvaziada da CGU como nas salas de aula.
"Nas aulas, eu tento falar um pouco de cidadania, despertar o interesse e tirar essa idéia de que a política não presta. Muitos alunos são apáticos, principalmente nesta fase da adolescência, mas sempre tem alguns que se envolvem. Um grupo, inclusive, vai fazer parte do conselho. É claro que se todos fossem interessados seria melhor ainda, mas eu consigo ver um horizonte", afirmou.
O casal Dirceu e Juliana Coutinho também acompanhou toda a apresentação e achou a oportunidade válida para lembrar que o cidadão "pode colaborar e tem um papel a cumprir" na fiscalização do uso do dinheiro público. "Falta consciência social', acredita Dirceu.