UOL Notícias
 

20 anos da queda do Muro de Berlim

07/11/2009 - 07h00

Carro comunista une Berlim

Do UOL Notícias
Em São Paulo*
Listar os problemas da Alemanha Oriental é fácil: o impedimento de ver parentes no lado ocidental, a dificuldade de ter acesso a determinados produtos, a repressão da Stasi (a polícia secreta), dentre outros. E o lado bom? Alemães que moravam no lado comunista citam - recorrentemente e ironicamente - um bem de consumo do qual sentem saudade.

Mesmo pequeno e barulhento, o Trabant era um dos orgulhos da Alemanha Oriental , fabricado entre 1957 e 1991. Quem queria ter o seu precisava entrar em uma fila de espera que demorava, em média, dez anos - podia chegar a 15 em alguns casos. Por isso, muitos alemães do leste já faziam o pedido do carro mesmo não precisando dele ainda.
  • Herbert Knosowski/AP

    O Trabant, ou Trabi, o lendário carro da Alemanha Oriental com carroceria de plástico


Com a reunificação, o Trabant não foi páreo para os carrões do oeste, que viraram o novo sonho de consumo dos alemães do leste, como Mercedes-Benz, Audis, Porches e BMWs.

Mas de "patinho feio" dos automóveis, o Trabant virou um dos principais símbolos "cult" da Alemanha. Há empresas que oferecem passeios dentro do veículo. E o carro pode voltar às ruas em 2012, como motor elétrico e um visual bem fiel ao modelo original. O protótipo foi apresentado durante o Salão de Frankfurt deste ano.

Se o Trabant deixou saudade, o "escambo" na Alemanha Oriental ficou apenas na triste lembrança. Um hábito comum entre os alemães orientais era a troca de produtos e serviços, em vez do pagamento em dinheiro - a moeda da então RDA era fraca em relação ao marco alemão (DeutscheMark) da vizinha RFA. Por exemplo, entre um mecânico e um barbeiro: a pessoa se oferecia para consertar um carro quebrado e, em troca, teria o cabelo cortado de graça por um determinado período. Esse sistema acabou com a reunificação do país.

Outra ma peculiaridade que ficou no passado era a proibição para viajar do lado comunista para o lado capitalista. Apenas cidadãos aposentados da Alemanha Oriental tinham certa liberdade para ir ao lado ocidental como visitantes. E se deslumbravam com a fartura de produtos existentes nos supermercados quando chegavam ao outro lado do Muro ou da fronteira entre as duas Alemanhas.

O trajeto contrário também era complicado. Os alemães ocidentais sofriam ainda mais restrições para entrar em Berlim Oriental. Temia-se que pudessem ser espiões ou que ajudariam cidadãos do leste a fugirem para o oeste. Essa política não era aplicada aos estrangeiros, que tinham liberdade para visitar os pontos turísticos de Berlim Oriental.

Aliás, entrar em Berlim Oriental não era um desafio para os estrangeiros, que não sofriam as restrições impostas aos alemães do oeste. Era como se a cidade fosse dos estrangeiros, e não dos próprios alemães.

Se o alemão ocidental não era bem-vindo como turista em Berlim Oriental, em outros países da Cortina de Ferro (Polônia, Romênia, Bulgária, ente outros) o tratamento era melhor. Bastava falar em alemão que, imediatamente, o turista recebia tratamento de primeira classe. Em contrapartida, os alemães do leste recebiam tratamento inferior quando descobriam a verdadeira origem do turista.

Divisão sob trilhos
Dependendo da região onde se vivia em Berlim na época da divisão, o Muro que separava a cidade era presença certa no itinerário. O Muro de Berlim cortava quatro linhas de metrô e cinco de trem.

Na época da divisão da cidade, o trem só chegava ao lado oriental após passar por inspeções rigorosas. As estações que ficaram do outro lado do Muro tornaram-se fantasmas, pois não era permitido descer ou mesmo parar nelas.

As plataformas eram vigiadas por policiais da Alemanha Oriental armados com metralhadoras e amparados por cães de guarda. Tudo isso para evitar que os alemães do leste usassem o metrô e os túneis para fugir para o oeste.

*Com informações de Rodrigo Borges Delfim

Compartilhe:

    Trânsito

    Cotações

    Hospedagem: UOL Host