Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira mostram o avanço que a telefonia celular teve entre os brasileiros. De 2006 para 2007, o crescimento do número de domicílios que têm somente celulares foi de 17,8%, o que corresponde a 17,6 milhões. Para se ter uma dimensão do crescimento, em 2001, ano em que os celulares começaram a ser computados na pesquisa, esse número estava em 3,66 milhões.
Com isso, a proporção de residências que contam somente com o celular é de 31,6%. Esse avanço fez com que o número de domicílios que possuem algum tipo de telefone (fixo ou móvel) alcançasse 77,7%, o que corresponde a 43,14 milhões. Outra constatação que a pesquisa trouxe foi que, com o avanço dos celulares, tem diminuído o número de casas que tenham somente o telefone fixo: de 2006 para 2007 houve um decréscimo de 11,8%.
Segundo William Kratochwill, especialista do IBGE, há uma explicação possível para esse crescimento significativo. "O celular era uma demanda de comunicação reprimida por falta de acesso, mas o barateamento dos aparelhos e o acesso mais fácil podem ter contribuído para esse aumento", analisa. "Um celular pré-pago é muito mais barato do que uma televisão, por exemplo, e pode até sair de graça dependendo do plano da operadora", explica.
ComputadoresAssim como no ano passado, outro bem durável que também apresentou um crescimento consistente foi o computador. O percentual de brasileiros que possui um equipamento na residência, desktop ou laptop, chegou a 27%, ou seja, mais de um quarto. Em relação a 2006, o crescimento foi de 24,3%. Para efeito comparativo, em 2001, o percentual de residências com computador em casa era de apenas 12,6%. A pesquisa levou em conta também os computadores com acesso à internet. Nesse caso, o percentual é de 20,6%, um pouco abaixo do número total de computadores - portanto 6,4% dos computadores não têm internet. Nesse quesito, além do crescimento, a pesquisa mostra a permanência das desigualdades de uma região para outra. A região Sudeste lidera o percentual de computadores com internet (27,4%), seguido pela região Sul (24%) e Centro-Oeste (18,4%). Na outra ponta estão as regiões Nordeste (8,8%) e Norte (8,2%).
Os demais bens de consumo, próximos da saturação, tiveram pouca variação. Um exemplo é o fogão, que em 2006 já estava em 97,8%, em 2007, passou para 98,2%. A pesquisa leva em conta, nesse caso, um fogão a partir de duas bocas e inclui os de alvenaria e os portáteis.
A televisão tem uma situação semelhante: em 2007, chegou a 94,8%. O Distrito Federal lidera no percentual de presença, com 98,8%, à frente dos Estados do Sul e Sudeste; na outra ponta, o Estado com o menor percentual de televisores é o Piauí, com 80,7%. Esses dados também podem servir de referência para justificar o aumento dos computadores. "A televisão chegou quase a um ponto de saturação. Talvez isso faça a população procurar outro bem para o lazer, como o computador, cujo preço também abaixou bastante", aponta Kratochwill.
O rádio, que antigamente era o bem durável com maior presença depois do fogão, vem perdendo para os televisores e a geladeira. A situação foi invertida em 2005, quando o número de domicílios com geladeira era de 88,6% e o de rádios, 88,4%. Em 2007, as geladeiras alcançaram 91,4% e os rádios 88,4%, portanto, mesmo percentual de 2005. O telefone, que agora está com 77,7%, é o próximo que pode superar o rádio: em 2001, a diferença entre os dois era de 29,1%, em 2007 reduziu para 10,7%. "Como as pessoas podem escutar rádio pelo computador, talvez isso explique o crescimento tão baixo dos rádios", sugere Kratochwill, indicando mais uma vez a interferência dos computadores em relação aos outros bens.
Direção contráriaNa contramão das tendências de crescimento, dois bens vêm apresentando redução na participação das residências brasileiras. Um deles é o filtro de água. Dez anos antes, em 1997, o percentual estava em 57,2%, em 2007 caiu para 51,4%. Um dado curioso é a disparidade de um Estado para o outro: em Minas Gerais 79,1% têm filtro de água, enquanto no Amazonas esse percentual é de apenas 15,7%.
Acesso crescente à
telefonia é positivo?
De acordo com os dados da Pnad, de 2006 para 2007 o número de domicílios somente com celulares cresceu 17,8%, o que corresponde a 17,6 milhões de residências
Segundo o especialista do IBGE, uma possível explicação para essa redução tenha a ver com mudanças no setor de infra-estrutura. "A privatização do setor de abastecimento faz com que a qualidade da água tenha melhorado, substituindo o antigo sistema de poço. Talvez por isso as famílias deixaram de usar o filtro", informa Kratochwill.
Outro bem durável que segue essa tendência é o freezer, que vem caindo desde 1998, quando 19,7% dos brasileiros possuíam esse eletrodoméstico em suas residências; em 2007, o percentual foi para 16,2%.
A explicação para isso, segundo Kratochwill, é que "a geladeira de duas portas tem crescido bastante sua participação - em 2007 chegou a 22,2%. Por conta do apagão, as pessoas desligaram seus freezers e optaram pela compra da geladeira de duas portas", explica. O preço, de acordo com o especialista, também é um fator que pode ter influenciado essa tendência.