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18/09/2008 - 10h01

Saneamento básico melhora, mas 1 em cada 4 domicílios ainda não tem rede de esgoto

Gabriela Sylos
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O serviço de coleta de esgoto vem se expandindo no Brasil desde 1997, mas 26,4% dos domicílios ainda não têm acesso a rede coletora ou fossa séptica, segundo dados da Pnad de 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE. Isso significa que cerca de um em cada quatro domicílios utilizam formas irregulares de esgotamento ou deixam os dejetos a céu aberto.

A falta de saneamento expõe a população a doenças como cólera, amebíase e diarréia. Em junho de 2007, a OMS (Organização Mundial da Saúde) revelou que a falta de água tratada e de redes de esgoto tiram a vida de 15 mil brasileiros por ano.

Rede de esgoto regular
(% de casas atendidas)

  • Norte - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 54,8%
  • Nordeste - - - - - - - - - - - - - - - - 55,1%
  • Centro-Oeste - - - - - - - - - - - - - - 47,2%
  • Sudeste - - - - - - - - - - - - - - - - - 89,4%
  • Sul - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 79,5%
Pnad 2007 - IBGE

Os outros 73,6% dos domicílios brasileiros que recebem serviço de esgoto utilizam rede coletora (51,3%) ou fossa séptica (22,3%). A rede coletora, ou seja, o serviço de canalização que leva os dejetos a um desaguadouro geral, foi a que mais cresceu no ano analisado. "O crescimento de 2,8% em relação a 2006 é expressivo. Construir uma rede coletora é um processo lento, que exige bastante investimento", afirma William Kratochwill, economista e tecnologista do IBGE.

A fossa séptica é uma coleta mais simples, geralmente usada na zona rural ou em áreas mais distantes. Os dejetos vão para uma fossa, onde passavam por um processo de tratamento ou decantação, e a parte líquida é absorvida no próprio terreno —sem contaminar o lenço freático— ou canalizada para um desaguadouro geral. Apesar de menos elaborada, "a fossa séptica é uma forma eficaz de evitar as doenças causadas pelo esgoto aberto", explica Kratochwill.

Queda em 3 Estados

  • Três Estados diminuíram o número de domicílios atendidos por redes de esgoto regulares, contrariando o crescimento no resto do Brasil. São eles: Rondônia (de 46,6% em 2006 para 28,1% em 2007), Maranhão (de 53% para 52%) e Piauí (de 63% para 59%). Segundo o IBGE, os dados podem ser erros técnicos, já que a pesquisa é feita por amostragem

Dentre as cinco regiões do Brasil, o Centro-Oeste tem o pior cenário em ralação ao esgotamento: quase 53% das residências não têm qualquer tipo de saneamento regular. Mato Grosso lidera a lista do país, com 73,9% de casas sem o serviço. Do lado oposto, estão as regiões Sudeste e Sul que têm 89,4% e 79,5%, respectivamente, de domicílios com rede ou fossa. Quando se trata apenas da implantação de rede coletora, a região Norte é a pior, com apenas 9,8% das moradias atendidas.

Apesar de todas as regiões terem apresentado evolução no saneamento básico, uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2000 mostrou que apenas 35% de todo o esgoto que é coletado no Brasil recebe algum tipo de tratamento.

Outros serviços de infra-estrutura
Em 2007, o IBGE contabilizou 56,3 mil domicílios brasileiros, sendo que 69,8% deles eram moradias próprias já quitadas (aumento de 0,7% em relação a 2006). Além da rede de esgoto, outros serviços de infra-estrutura nestas residências, como energia elétrica, abastecimento de água e coleta de lixo, têm apresentado índices crescentes desde 1992.

Iluminação elétrica
(% de casas atendidas)

  • Norte - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 94%
  • Nordeste - - - - - - - - - - - - - - - - 95,7%
  • Centro-Oeste - - - - - - - - - - - - - - 98,7%
  • Sudeste - - - - - - - - - - - - - - - - - 99,8%
  • Sul - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 99,5%
Pnad 2007 - IBGE

O bem mais acessível é a rede elétrica. Segundo o IBGE, 98,2% dos domicílios têm luz, um acréscimo de 0,5% em relação ao ano anterior. "Talvez o forte investimento em construção de usinas hidrelétricas de grande porte, como Itaipu, tenha favorecido uma distribuição mais abrangente de energia", explica William Kratochwill. O economista lembra que o instituto não diferencia as instalações feitas de forma regular ou irregular, ou seja, no total também foram considerados os chamados "gatos", as ligações irregulares.

As regiões Sudeste e Sul estão mais próximas de fornecer energia a todos os domicílios: apenas entre 0,2% e 0,5% das casas ainda não a tem. Já o Norte, que apresenta o menor percentual de casas atendidas, foi a região onde o serviço mais cresceu —destaque para o Amapá que subiu 1,4 ponto percentual e tinha 98,9% de moradias com luz em 2007. Rio de Janeiro e Distrito Federal têm 100% dos domicílios iluminados.

Sua comunidade sofre com problemas de saneamento?

Mais de 1/4 dos domicílios brasileiros não possuem acesso à rede coletora ou fossa séptica. A falta de saneamento causa a morte
de 15 mil brasileiros por ano, segundo dados da OMS


Em relação ao abastecimento de água, o crescimento tem sido lento. O ritmo de 2007 foi o mesmo do ano anterior: 0,1 ponto percentual, atendendo a 83,3% das casas brasileiras. A região que mais cresceu entre 2006 e 2007 foi o Centro-Oeste (acréscimo de 1,3%), mas no Mato Grosso, por exemplo, o abastecimento ainda atinge apenas 67% das casas. No Norte, a situação é ainda pior: apenas 55,9% das casas têm a rede; em Rondônia são 39,7% —o menor índice do país.

A coleta de lixo atinge 87,5% dos domicílios brasileiros, um acréscimo de 0,9% em relação a 2006. O Nordeste segue como último da lista com 73,9% das casas atendidas. O pior Estado da região, e do Brasil, é o Piauí, onde apenas 54,1% das residências têm acesso ao serviço.

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