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18/09/2008 - 10h00

Mais da metade dos moradores de Roraima e do Distrito Federal são imigrantes

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Mais da metade da população residente no Estado de Roraima e no Distrito Federal é formada por pessoas que não nasceram lá. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) relativa a 2007, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, as duas unidades federativas tem a maior porcentagem de imigrantes em comparação com os outros Estados do Brasil.

Cinco unidades federativas com mais imigrantes (porcentagem na população)

  • Distrito Federal...................................51,4%
  • Roraima (N)........................................50,5%
  • Rondônia (N)......................................45,7%
  • Mato Grosso (CO)..............................40,8%
  • Tocantins (N)......................................32,1%
Em Roraima, 50,5% da população é formada por pessoas de outros Estados ou outros países, enquanto no Distrito Federal, o índice aponta 51,4% de imigrantes. O Estado com menos população originária de outros lugares é o Rio Grande do Sul, com apenas 4,2%.

A porcentagem de imigrantes de Roraima e do Distrito Federal caiu um pouco com relação à Pnad 2006. Naquele ano, 53,7% dos habitantes de Roraima eram não-naturais do Estado e no Distrito Federal o índice chegava a 51,8%. Já a porcentagem no Rio Grande do Sul cresceu esse ano: era 3,8% em 2006. "Ainda não é possível falar em tendência (de diminuição ou aumento) porque migração é um processo lento e um ano não é suficiente", afirma Adriana Perenguy, técnica do IBGE. Os números das pesquisas de anos anteriores mostram que o quadro é semelhante ao de 2007, com Roraima e o Distrito Federal com 50% ou mais de imigrantes, com pequenas variações decimais de um ano para outro.

Cinco unidades federativas com menos imigrantes (porcentagem na população)

  • Rio Grande do Sul (S)..........................4,2%
  • Ceará (NE)............................................5,3%
  • Bahia (NE)............................................6,8%
  • Pernambuco (NE).................................7,2%
  • Minas Gerais (SE)................................7,6%

Com relação às regiões, o Centro-Oeste desponta na pesquisa como pólo de atração migratória no Brasil, com 35,2% de população formada por pessoas nascidas em outras regiões. A migração é ainda maior entre municípios: 53,1% da população não nasceu nos municípios de residência. "No Centro-Oeste, quem puxa esse índice é o Distrito Federal", explica Perenguy. Já a região que registra menos imigrantes é o Nordeste - com apenas 7,5% da população nascida em outras regiões.

Perenguy explica que a maioria dos moradores do Distrito Federal é de outros lugares devido à construção recente de Brasília, inaugurada em 1960:"muitos dos moradores mais velhos foram para lá na época da construção". O Distrito Federal tem um total de 2,44 milhões de habitantes e seus imigrantes vem de Estados de regiões diversas, como Minas Gerais, com 222 mil migrantes, Goiás, com 181 mil, Bahia, com 143 mil e Piauí, com 127 mil.

Porcentagem de migrantes inter-estaduais por região

  • Centro-Oeste......................................35,2%
  • Norte...................................................22,5%
  • Sudeste...............................................17,8%
  • Sul.......................................................12,2%
  • Nordeste...............................................7,5%
Já no caso de Roraima, a Pnad indica que a maioria dos imigrantes são das regiões Norte e Nordeste. Nascidos no Maranhão, há 93 mil habitantes em Roraima, do Pará, são 29 mil, do Amazonas, 20 mil e do Ceará, 18 mil. A população do Estado é de 418 mil habitantes.

O fluxo migratório para a região é mais recente que o do Distrito Federal e deu-se com mais ênfase a partir da década de 90. "A região atrai por ser área fronteira, pouco habitada", afirma o pesquisador José Marcos Cunha, do Núcleo de Estudos de População da Unicamp. Segundo Cunha, os migrantes vão para Roraima atraídos por atividades econômicas como o garimpo e o extrativismo.

Porcentagem de migrantes inter-municipais por região

  • Centro-Oeste......................................53,1%
  • Sul......................................................44,4%
  • Norte..................................................43,0%
  • Sudeste..............................................40,5%
  • Nordeste.............................................32,0%
O Rio Grande do Sul, por sua vez, é uma região de pouca atratividade devido à sua estrutura de trabalho baseada na agricultura familiar - o que contribui para manter a população de origem no local e afastar migrantes de outros lugares.

Casa de Passagem
Por conta do alto fluxo migratório, o Estado de Roraima tem desde 1991 um órgão, subordinado à Secretaria Estadual do Trabalho e Bem-estar Social, para dar apoio aos migrantes. A chamada Casa de Passagem tem a função de fornecer alojamento temporário e alimentação e encaminhar os migrantes para outros órgãos de regularização. Às vezes, o órgão fornece transporte para outros municípios - a Casa fica na capital, Boa Vista.

No primeiro semestre de 2008, 723 pessoas passaram pela Casa, das quais 98 eram estrangeiras (o Estado costuma receber migrantes da Guiana e da Venezuela) e 176 de outros estados do Brasil. "A Casa atende também pessoas de Roraima mesmo, porque muitos recorrem ao órgão procurando tratamento para problemas de saúde ou atrás da aposentadoria rural", explica Jorge Santiago, do setor de administração do órgão.

Santiago afirma que a maioria dos migrantes é de classe baixa e vive no interior do Estado. Muitos trabalham na agricultura familiar ou como mão-de-obra na construção civil.

País tem muitos migrantes, mas não proporcionalmente
A Pnad indicou que, no Brasil, 15,8% da população não vive em seu Estado de origem e 39,8% não vive nas cidades onde nasceram. "É de se esperar que a maioria da população não migre. O número de migrantes no Brasil é muito grande porque a população também é, mas proporcionalmente não é tanto", diz José Marcos Cunha.

No Brasil, 15,8% da população não nasceu na unidade federal em que vive e 39,8% mora em um município diferente do seu de origem

Desde 1992, quando o tema "migração" foi acrescentado à Pnad, os números variaram pouco. Desde aquela data, a maior porcentagem de migrantes de fora das unidades federativas de residência foi 16,2%, registrada em 1992, 2002, 2003 e 2005 e a menor 15,7%,registrada em 1998. Quanto aos moradores de cidades onde não nasceram, o número ficou entre 40,6%, registrado em 2001 e 2002 e 39,2%, registrado em 1998. "Esses dados escondem uma 'migração acumulada', tanto das pessoas que chegaram no local há 40 anos quanto das que chegaram recentemente", afirma José Marcos Cunha. A mudança nos dados é lenta, explica o pesquisador, porque "muitos dos imigrantes que moram em um dado local em 92 são os mesmos que ainda moram lá em 96".

A Pnad também indicou que a população não-natural dos municípios tende a ser mais significativa conforme mais elevada é a faixa etária: entre os nascidos na unidade federativa, 29,6% tinham 40 anos ou mais, enquanto entre os imigrantes essa porcentagem ficou em 52,5%. Segundo a Pnad, esse perfil predomina porque a migração é movida pela a busca por oportunidades de trabalho.

Por esse motivo, o nível de ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população de 10 anos ou mais de idade) dos não-naturais de uma determinada área tende a ser maior que o dos naturais. Para os municípios, o nível de ocupação da população natural é 54,4%, enquanto para os não-naturais é 60,1%. Com relação à unidade federativa, o nível de ocupação da população nascida no local é 56,1, enquanto o dos imigrantes chega a 61,1%.

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