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18/09/2009 - 10h00

Nordeste vive auge da telefonia em 2008, mas acesso à internet ainda é restrito

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Celular também para divertir

  • Carlos Madeiro/UOL

    A babá Izaquiela Monteiro comprou um aparelho de celular quando ainda morava em Pedra, no sertão de Pernambuco, em 2008; o telefone não pegava na cidade, e ela só passou a usá-lo este ano, quando se mudou para Maceió. "Usava mesmo ele para ouvir rádio e quando viajava", disse

Enquanto oito em cada nove lares do Nordeste ainda esperam se conectar à internet, a população da região fez da telefonia celular o bem durável mais procurado no ano passado. Segundo a Pnad 2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em doze meses o número de residências com acesso à telefonia cresceu 13,2%, saltando de 59% para 66,8% do total de domicílios da região (quase 15 milhões). Em 2008, o total de domicílios com aparelhos chegou a 10 milhões.

Os números chamam mais a atenção quando comparados ao resto do país, onde o percentual de residências com um telefone aumentou 6,9% em 2008 (quase metade do que cresceu no Nordeste), chegando a 82,1% do total. No Brasil, dos mais de 57 milhões de domicílios, cerca de 47 milhões têm telefone.

A pesquisa não revela o número de aparelhos por residência nem especifica telefones móvel ou fixo, mas deixa claro que o Nordeste começou a popularizar a telefonia, repetindo um fenômeno marcante no início da década nas regiões Sul e Sudeste.

Segundo as próprias empresas de telefonia móvel, os índices no Nordeste só não são maiores porque as operadoras ainda não fornecem sinal a quase metade dos municípios da região. A expansão é uma das principais metas dos próximos anos.

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Para o economista Cícero Péricles, a grande procura pela telefonia móvel explica-se pela queda de preços em aparelhos e serviços. "A telefonia é o melhor exemplo de acesso a bens duráveis no Nordeste. Isso devido à combinação do avanço das áreas cobertas pelas operadoras, queda nos preços dos planos e aparelhos e a melhoria da renda regional. O número de habilitações na região saltou de 5 milhões de celulares, em julho de 2003, para 35,5 milhões, em julho de 2009", complementa.

Mesmo sem chegar a todos os locais, o setor conseguiu atingir regiões onde não existe sinal. A babá Izaquiela Monteiro conta que comprou o primeiro aparelho em 2008, quando ainda morava da cidade de Pedra, no sertão de Pernambuco. Sem sinal na cidade, ela fazia uma verdadeira peregrinação para conseguir ligar do aparelho. "Lá na cidade inaugurou uma loja, minhas amigas compraram e eu comprei também. Tínhamos que ir até uma região longe, na zona rural, para conseguir telefonar. Usava mesmo ele para ouvir rádio e quando viajava a Arcoverde (cidade vizinha a Pedra e referência no Sertão)", explica.

Há nove meses, ela veio trabalhar em Maceió e finalmente pôde utilizar o aparelho em sua atividade-fim. Assim como a maioria dos nordestinos, ela adquiriu o aparelho pelo serviço pré-pago. "Coloco dez reais por mês e ligo à vontade. Todas as minhas amigas têm a mesma operadora e nos falamos sem pagar muito", conta.

Acesso a bens de consumo

  • Alan Marques/Folha Imagem

    Acesso a telefonia no Brasil cresceu 6,9% em 2008, atingindo 82,1% do total de domicílios

  • Joel Silva/Folha Imagem

    A média de domicílios brasileiros com computador é de 31,2%, segundo a Pnad, do IBGE

Exclusão digital persiste
A região Nordeste também apresenta crescimento acima da média no que se refere à aquisição de computador e acesso à internet. Mas os números da Pnad revelam que a exclusão digital ainda está presente na maioria absoluta dos lares nordestinos.

A pesquisa revela que apenas 15,7% dos domicílios da região possuíam um computador em 2008. A média é a pior entra as cinco regiões e representa metade da média nacional, de 31,2%. O acesso à internet também avança a passos lentos e chega a apenas 11,6%. Mesmo assim, em 2008, a região registrou um crescimento de 28% nos dois índices, enquanto no país a alta foi de 19%.

O economista Cícero Péricles assegura que a exclusão digital persiste na região por conta da baixa renda do nordestino. "O acesso aos bens duráveis está marcado pelas prioridades familiares, que, em geral, podem ser associadas: fogão e geladeira, nas funções básicas da cozinha; TV e rádio nas funções de informação e diversão. Ambos têm funções relativamente mais importantes que as do computador", explica.

Já no que se refere à internet, o economista diz que a pouca procura é explicada na composição de três fatores: "o baixo índice de escolaridade dos chefes de família, a renda insuficiente para compra o computador e o valor da mensalidade cobrado pelas redes operadoras. Além disso, há limites no grau de cobertura das empresas prestadoras desses serviços", acrescenta.

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